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O Sócio do Meu Marido, Meu Segredo Proibido romance Capítulo 6

Agenda compartilhada: POV Rachel

A confirmação da viagem chegou antes do meio-dia.

O e-mail da secretária era objetivo demais para algo que já tinha começado a ocupar espaço na minha cabeça: voos confirmados, hotel reservado, agenda preliminar anexada. Três dias. Reuniões longas. Jantares de trabalho. Pouco tempo livre — ao menos no papel.

São Paulo.

Abri o anexo com atenção profissional, marcando mentalmente horários, deslocamentos, margens de risco. Eduard estava copiado em tudo. Adrian também. Tudo limpo. Tudo correto.

Tudo parecia organizado demais para justificar o incômodo que se formava.

Fechei o arquivo e me forcei a focar em outra coisa.

Passei o resto da manhã resolvendo pendências, ligando para clientes, ajustando cláusulas que pediam urgência. Funcionava bem quando eu mantinha a mente ocupada. O problema era o que acontecia nos intervalos.

— Rachel.

A voz de Eduard veio do corredor.

Levantei o olhar quando ele apareceu à porta da minha sala, o paletó já no braço, expressão concentrada. Ele entrou sem esperar resposta, como fazia quando tinha pressa.

— Vi o e-mail da viagem — disse. — Está tudo certo para você?

— Está — respondi. — A agenda é viável.

Ele assentiu, satisfeito com a resposta objetiva.

— Ótimo. Adrian já está alinhando os investidores. Vamos precisar estar bem preparados.

Vamos.

A palavra soou correta. Familiar. Ainda assim, havia uma diferença sutil entre o que estava sendo dito e o que estava sendo vivido.

— Você parece distraída — comentou, ajeitando a manga da camisa.

— Só concentrada — corrigi.

Eduard me beijou a testa, rápido, automático, e saiu com a mesma pressa com que tinha entrado. Fiquei observando a porta fechada por alguns segundos a mais do que o necessário.

À tarde, revisei a agenda com mais cuidado.

Café da manhã com investidores.

Reunião jurídica.

Almoço de negócios.

Visita à nova sede.

Em quase todos os compromissos, meu nome aparecia ao lado do de Adrian.

O telefone tocou pouco depois.

— Rachel — a secretária disse. — O doutor Adrian pediu para confirmar se você prefere sentar próxima a ele nas reuniões. Facilita a dinâmica.

Fechei os olhos por um instante antes de responder.

— Tanto faz — disse, mantendo a voz neutra. — Siga o protocolo.

Desliguei com a sensação incômoda de que tanto faz não era exatamente verdade.

No fim do dia, abri o armário em casa e encarei as roupas com uma atenção diferente da habitual. Não escolhia vestidos. Escolhia postura. Tecidos discretos. Cortes adequados. Nada que pudesse ser mal interpretado.

Ainda assim, descartei duas peças sem saber exatamente por quê.

Na mala, coloquei o essencial. Documentos. Notebook. Sapatos confortáveis. Um vestido social que eu já tinha usado dezenas de vezes.

Era só uma viagem de trabalho.

Nada mais.

Quando Eduard entrou no quarto, falando sobre horários e compromissos, eu o escutei com atenção real. Assenti. Fiz perguntas. Organizei mentalmente o que precisava ser feito.

Estávamos indo juntos.

Tudo estava dentro do esperado.

Mas, enquanto fechava a mala, uma percepção silenciosa se impôs — clara demais para ser ignorada:

Não era a cidade que me deixava inquieta.

Era a convivência prolongada.

Três dias dividindo decisões, espaços, silêncios.

O tempo passou rápido demais até o dia da viagem.

Na manhã do embarque, acordei antes do despertador. Eduard ainda dormia ao meu lado, o rosto relaxado, distante da lista mental que eu já organizava: documentos impressos, apresentações salvas em dois dispositivos, contratos revisados pela última vez.

Levantei em silêncio e fui até a cozinha preparar café.

Enquanto a água esquentava, repassei mentalmente cada detalhe da agenda. Nada podia dar errado. Não por causa da empresa — mas porque qualquer falha seria interpretada como distração. E eu não podia parecer distraída.

Eduard apareceu poucos minutos depois, ajeitando a camisa.

— Dormiu bem? — perguntou.

CAPÍTULO 6 1

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