Porque, de repente, Marcelo afundou o rosto na curva do pescoço dela. Os braços dele apertaram-se com firmeza em volta da sua cintura e a voz dele soou abafada: — Meu amor, eu senti tanto a sua falta.
Todas as reclamações de Bianca ficaram presas na garganta.
Foi como se um balde de água fria caísse de uma vez sobre a sua raiva, apagando o incêndio com um chiado e deixando apenas um rastro de pena e deslumbramento.
Ela nunca tinha visto Marcelo agir daquela forma.
Sem toda aquela serenidade, frieza e maturidade do dia a dia, ele se assemelhava ao Fofo: carente, manhoso, declarando suas saudades de forma tão genuína e vulnerável.
Ele estava tão carinhoso e meigo.
— Eu só fiquei fora por cinco dias — murmurou ela, levando a mão, quase que por instinto, a acariciar suavemente as costas dele.
— Cinco dias é muito tempo. — Marcelo se esfregou no pescoço dela. O ar quente que saía de seus pulmões tocava a pele dela, causando-lhe arrepios. — Todo dia eu queria te ligar, mas tinha medo de te atrapalhar.
Bianca tentou acalmá-lo com doçura: — Me solte primeiro. Vou pegar a sua sopa, você vai se sentir muito melhor.
— Eu não quero a sopa. — Marcelo a abraçou com mais força. — Só quero você aqui comigo.
— Se você não tomar a sopa, vai ter uma dor de cabeça horrível amanhã — argumentou Bianca.
— Se você ficar comigo, eu não vou sentir dor nenhuma.
Bianca ficou sem palavras.
Não existia lógica quando se tentava dialogar com alguém embriagado.
Ela desistiu e cedeu.
— Tudo bem, eu fico com você. Mas me solte só um pouco para a gente se sentar no sofá, está bem? É cansativo ficar em pé.
Marcelo assentiu com a cabeça, soltou a cintura dela, mas de imediato agarrou a sua mão, entrelaçando os dedos com força, negando-se a deixá-la escapar.
Bianca o guiou até os sofás no centro do quarto e fez com que ele se acomodasse.
Depois de se sentar, Marcelo continuou segurando a mão dela. Com um leve puxão, fez com que Bianca caísse em seu colo.
Encarando-a firmemente, ele murmurou sílaba por sílaba: — Apreciei a noite inteira, e a única coisa que me passava pela cabeça era expulsar todo mundo daqui.
— Ah, é? Então por que você se distraiu conversando e virando copo com tanta gente?
Bianca ergueu as sobrancelhas. Com os dedos atrevidos, desabotoou os primeiros botões da camisa dele.
Aquela provocação fez Marcelo quase perder a cabeça. Ele abaixou o rosto, sedento por mais um beijo.
Mas Bianca esticou o dedo, bloqueando os lábios dele.
— Você já engoliu quase todo o meu batom. — Ela o censurou com o olhar, desviando a atenção para o vermelho vibrante nas pontas dos dedos dela, e depois analisando o peito desnudo dele sob a camisa semiaberta.
Uma ideia diabólica passou pela cabeça dela.
Livrando-se do aperto firme das mãos dele, Bianca deu um pequeno retoque no batom, segurou o rosto dele com as duas mãos e cravou a boca contra a pele dele outra vez.
De propósito, ela foi beijando com força e espalhando a marca de seus lábios avermelhados pelo queixo, pelas bochechas, pelo pescoço e até mesmo na gola da camisa dele.

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