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O Preço do Amor romance Capítulo 179

As lágrimas de Patrícia escorriam silenciosamente.

Sua filha tinha crescido em um ambiente tão humilde, tendo apenas a avó como porto seguro, e ainda assim se tornara uma mulher tão forte, bondosa e admirável.

Enquanto isso, Wilma estava sob suas asas, recebendo a melhor educação, os cuidados mais preciosos e uma vida livre de qualquer preocupação.

Essa enorme injustiça rasgava o coração de Patrícia impiedosamente.

Gabriel saiu da cozinha. Parou a uma certa distância, segurando um prato branco de porcelana com um souflê dourado e fofinho que exalava um aroma tentador.

Ele tinha escutado o relato da filha.

Aquele homem, sempre tão calmo e articulado no mundo dos negócios, estava com os olhos vermelhos. O maxilar travado e os dedos ao redor do prato pálidos de tanta força.

A filha deles havia crescido sozinha, sem a figura de uma mãe e com a total ausência de um pai.

Patrícia enxugou as lágrimas e tentou se recompor. Estendeu a mão e segurou a de Bianca.

— Bia... — Ela usou um apelido carinhoso, com a voz embargada. — Daqui para frente, a mãe sempre estará ao seu lado. Eu vou ajudar a cuidar da sua avó com você. A mãe vai te compensar em dobro por todas as tristezas que você passou na vida, está bem?

Bianca concordou com a cabeça.

Então, o amor de mãe era mesmo tão caloroso quanto contavam os livros de fadas que lia na infância.

Gabriel se aproximou e colocou o souflê diante de Bianca.

— Prove. Foi o pai quem fez, acabado de sair do forno é o melhor. De hoje em diante, o pai vai cozinhar tudo o que você quiser, massas, pratos internacionais, doces, basta você pedir.

Bianca olhou para o souflê macio e quentinho na sua frente. Depois, encarou a mãe, que tentava forçar um sorriso com os olhos marejados, e por fim o pai, que a observava em uma expectativa ansiosa.

Naquele canto estéril de seu coração, que passara vinte e cinco anos sem as figuras de pai e mãe, algo parecia estar finalmente brotando.

— Obrigada, pai. — Ela pegou a colherinha de prata ao lado, tirou um pedaço e levou à boca.

O souflê derreteu na boca. Tinha um aroma rico e cremoso, e o nível de açúcar era simplesmente perfeito.

Aonde aquela mulher tinha se metido?

Ele foi até o centro da sala. Na mesa, havia xícaras de chá pela metade, alguns gomos de tangerina na fruteira, e uma pasta absurdamente volumosa junto com um currículo.

Ele pegou o currículo fino. Era de Bianca.

Folheou um pouco, depois encarou a pasta azul que parecia uma enciclopédia, levantando as sobrancelhas.

Parecia que muita coisa tinha acontecido enquanto ele estava fora.

— Bianca? — Ele elevou o tom de voz e caminhou em direção ao escritório no andar de cima.

O escritório também estava vazio.

Marcelo desceu as escadas e ouviu o som de água na cozinha. Era Graziela, que limpava o espaço.

— Graziela, onde está a Bianca? — Marcelo perguntou.

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