— Resumindo, a probabilidade de você engravidar naturalmente daqui para frente é muito baixa.
— E, considerando as suas condições de saúde, não é recomendável recorrer à fertilização assistida. Portanto...
— Então, é muito difícil que eu tenha um filho meu...
Valentina Lacerda murmurou suavemente.
Ela baixou os olhos e acariciou o próprio ventre. Não teria mais filhos...
Ao sair do consultório médico, Valentina Lacerda se sentou em um dos bancos compridos do corredor.
Aquele era o ambulatório de obstetrícia, frequentado principalmente por gestantes, mas também por mães acompanhadas de seus filhos.
Ela ergueu o olhar e observou ao redor, o barulho preenchendo seus ouvidos.
O choro dos bebês, a insegurança dos pais de primeira viagem, a alegria das futuras mães, o cuidado atento dos pais...
Aquela movimentação toda era um retrato simples da vida cotidiana, comum, mas tão cheia de felicidade.
Mas ela... ela não poderia mais ter um filho...
Valentina olhava tudo aquilo, perdida, sentindo uma estranheza quase irreal.
Era como se já tivesse sido mãe, como se já tivesse criado uma criança com as próprias mãos.
Mas agora, o médico acabara de lhe dizer que nunca teria um filho seu...
— Senhora! O que faz aqui? Veio ver a Estrela?
A funcionária Joana se surpreendeu ao ver Valentina Lacerda ali. Pensava que a senhora não voltaria mais!
Afinal, o senhor da casa nunca gostou de Valentina Lacerda e, agora que a antiga esposa retornara, não parecia haver mais espaço para ela naquele lar.
Ah, que pena dessa mulher!
Cinco anos e não conseguiu conquistar o coração do marido.
Agora, provavelmente ele pediria o divórcio. Afinal, pelo jeito de Valentina, se ela ainda estivesse apegada, não teria ficado tanto tempo longe.
Valentina Lacerda também ficou surpresa ao encontrar Joana.
— Joana, o que faz aqui? Estrela está aqui? O que aconteceu com ela?
A funcionária contou o que acontecera na noite anterior e, ao saber que a alergia de Estrela fora tão séria, Valentina não conseguiu evitar a preocupação.
Já que estava no hospital, era melhor ir vê-la.
Joana guiou Valentina Lacerda até a ala pediátrica.
Ela e Benjamin Freitas agora tinham outros caminhos.
Eles, juntos, formariam uma nova família...
Não havia mais razão para ela interferir...
Dentro do quarto, Helena Barbosa continuava a acalmar a filha.
— Quando o papai chegar, você diz para ele que é seu desejo que o papai e a mamãe morem juntos, está bem?
— Por quê?
A pequena Estrela não entendeu a intenção da mãe.
Helena Barbosa explicou com paciência.
— Você não quer morar com o papai e a mamãe? Só assim eu posso me mudar para o Residencial Jardim do Sol. Então, daqui a pouco, você diz ao papai que quer que a mamãe fique com vocês lá, está bem?
Estrela pareceu entender.
Olhou para a mãe e perguntou:
— E a Valentina Lacerda? Quando ela volta?

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