A empregada ouviu aquelas palavras e teve a sensação de que talvez não fossem um bom presságio.
No entanto, sendo apenas uma funcionária, não se sentiu à vontade para dizer nada.
Benjamin Freitas, por sua vez, não percebeu outros significados nas palavras de Helena Barbosa e apenas comentou:
— Ela sempre teve muito carinho pela Estrela. Todos esses anos, foi graças aos cuidados dela que Estrela pôde crescer tão bem.
O rosto de Helena Barbosa endureceu por um instante, mas logo ela respondeu:
— Sim, eu também sou muito grata a ela! Só que eu, como mãe, todos esses anos, não cumpri com meu papel. Benjamin, agora que voltei ao país, gostaria de viver com a Estrela, para compensar o tempo perdido entre mãe e filha. Tudo bem para você?
Benjamin Freitas olhou para Helena Barbosa ao seu lado.
Ele ficou um pouco hesitante.
— Você ainda está se preparando para o doutorado, e cuidar de uma criança não é uma tarefa fácil...
Helena Barbosa já tinha sua própria decisão.
Ela disse:
— Não tem problema, Estrela é muito madura, não vai me atrapalhar. Inclusive, hoje à noite ela me disse que gostaria de ficar comigo todos os dias. Fique tranquilo, vou cuidar bem dela.
Benjamin Freitas olhou para a filha deitada no leito:
— Vamos deixar para decidir isso quando Estrela acordar. Se ela realmente quiser morar com você, vou providenciar que a empregada leve a Estrela para sua casa. Assim, você também terá menos dificuldade.
Helena Barbosa, ao ouvir a primeira parte, não conseguiu conter um sorriso no rosto. Mas ao escutar que Benjamin Freitas queria que Estrela apenas morasse em sua casa, o sorriso se desfez rapidamente.
Ela achava que poderia aproveitar a oportunidade para voltar a morar no Residencial Jardim do Sol.
— Ah... está bem, assim também é bom...
Ela logo se recompôs, sem deixar que Benjamin Freitas percebesse nada.
Afinal, Benjamin ainda não tinha se divorciado de Valentina Lacerda; nessa situação, voltar ao Residencial Jardim do Sol seria realmente inadequado...
Benjamin, no fundo, estava pensando na reputação dela.
...
Melissa Dourado tirou os óculos.
— Você veio sozinha? Não tem nenhum familiar te acompanhando?
Da última vez, Valentina Lacerda fez a cirurgia sozinha, o que gerou muitos boatos no hospital. Como médica responsável, Melissa ouvira várias dessas histórias.
Fosse qual fosse a verdade, como médica, ela tinha o dever de ser transparente com a paciente.
Afinal, aquilo era algo que poderia afetar a vida inteira de uma mulher.
Ao ver a expressão séria da médica, Valentina Lacerda sentiu medo.
Apertou levemente as mãos sobre os joelhos e forçou um sorriso.
— Dra. Melissa, pode falar comigo diretamente, por favor.
Melissa Dourado olhou para Valentina Lacerda através dos óculos, com um tom de certo pesar.
— Na última cirurgia, removemos sua trompa esquerda. Normalmente, isso não afetaria sua fertilidade, mas, pelos exames de agora, vemos que há uma dilatação na trompa direita. A parede está enfraquecida, podendo causar uma nova gravidez ectópica.

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