— Você está dizendo que viu a Valentina Lacerda no escritório de advocacia?
— Sim!
A voz de Natan Serra soava um pouco exaltada.
— Benjamin, meus parabéns! Finalmente você vai se livrar dessa mulher! Sabe, acho que ela percebeu que a Helena voltou e entendeu que não ficaria muito tempo ao seu lado. Ela deve ter medo que você peça o divórcio primeiro e assim fique em desvantagem, por isso resolveu “pedir pra sair”!
— Vendo por esse lado, até que ela tem um pouco de bom senso!
Benjamin Freitas, porém, não pensava assim.
Já estava casado com Valentina Lacerda há cinco anos. Embora mal trocassem palavras, conhecia bem aquela mulher.
Sabia o quanto ela se apegava a ele!
Divórcio fácil? Impossível!
Além do mais, se ela realmente tivesse esse tal bom senso, por que teria se esforçado tanto para atrapalhar a Helena?
— O escritório de advocacia de que você fala é o Veritas Jurídico, no Edifício Encanto do Mar do seu grupo?
— É, sim!
Lu Nan Feng respondeu.
— Toda quarta-feira preciso passar lá para uma vistoria, tarefa do velho, você sabe bem como é!
Enquanto falava, Lu Nan Feng de repente percebeu algo estranho.
— Será que a Valentina Lacerda já sabia que eu viria aqui?
Benjamin Freitas respondeu:
— Acho que comentei isso sem querer, antes.
— Então, quer dizer que ela não foi pega de surpresa por mim, mas estava me esperando de propósito? Por que faria isso?
Lu Nan Feng não conseguia entender.
Benjamin Freitas desceu as escadas com o celular na mão.
— Ela fez questão de ser vista por você porque tem certeza que você, com essa boca grande, não deixaria de me contar!
— Agora, ela mora no mesmo condomínio que a Helena e ainda vai disputar a vaga de doutorado com ela. Ao deixar você ver aquela cena hoje, queria garantir que eu soubesse, para me deixar inseguro.
Lu Nan Feng soltou uma risada sarcástica.
— Essa Valentina Lacerda vive no mundo da lua! Será que ela acha mesmo que pode usar essa tática de “fugir para atrair” com você?
— Acho melhor você entrar no jogo dela e se divorciar logo, pra ver como ela vai se virar depois!
Benjamin Freitas franziu a testa.
— Não vou chegar ao ponto de me divorciar dela!
— A Valentina Lacerda já voltou?
— Ela precisou resolver umas coisas de última hora e não vai voltar hoje. O papai vai levar você para o quarto dormir.
Ao ouvir que Valentina Lacerda não voltaria, a pequena Estrela fez um biquinho e seus olhos rapidamente se encheram de lágrimas.
Já fazia muito tempo que não via Valentina Lacerda.
E qual pai aguentaria ver sua filha tão triste?
— O papai promete que logo vai trazer a Valentina Lacerda de volta, está bem?
Estrela Freitas balançou a cabeça.
Ela não queria pedir para Valentina Lacerda voltar!
Não era uma menininha abandonada e sem valor!
Apertou o pescoço do pai, enxugando todas as lágrimas.
— Não quero que a Valentina Lacerda volte!
Estrela Freitas gritou.
— Eu já tenho minha mãe! Quero que minha mãe volte! Papai, quero minha mãe comigo!
O temperamento das crianças muda num piscar de olhos, e a pequena, tão determinada, já havia decidido: esperou tanto tempo e, já que Valentina Lacerda não voltava, não queria mais saber dela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Preço do Adeus