— Se tiver algo para falar, diga pelo telefone.
Do outro lado da linha, Benjamin Freitas dirigia seu carro. Olhou rapidamente para a tela, descontente com o tom de Valentina Lacerda.
— Hoje, às sete da noite, espero você em casa!
Assim que terminou, Benjamin desligou.
Valentina Lacerda ouviu o som mecânico do telefone e só conseguiu achar graça.
Já estavam para se divorciar e ele ainda queria que ela viesse ao seu chamado!
Às vezes, ela realmente se perguntava se Benjamin Freitas achava que era algum coronel!
Antes, ela fazia tudo para agradá-lo porque, cega de paixão, só queria que ele a amasse.
Mas agora, estavam prestes a se separar!
E mesmo assim, ele continuava dando ordens!
Valentina Lacerda deu meia-volta com o carro e saiu do hotel.
Dirigiu direto para o escritório de advocacia.
Já que Benjamin Freitas tinha iniciado a divisão de bens, ela também precisava se preparar.
No começo, dinheiro nunca lhe importara tanto, mas ao lembrar que Benjamin Freitas havia bloqueado seu cartão e já desfilava com a nova namorada pela empresa antes mesmo do divórcio, Valentina decidiu que não deixaria ele pisar nela dessa forma.
O homem, ela podia até deixar para trás!
Mas, depois de cinco anos casada, cada centavo que lhe cabia, ela faria questão de levar!
Estacionou em frente ao prédio do escritório. Pegou sua bolsa e desceu do carro, caminhando determinada até a entrada.
Após conversar com a advogada e acertar os detalhes, já era noite quando saiu.
A chuva começava a cair outra vez. O estacionamento era aberto, mas, por sorte, Valentina sempre carregava um guarda-chuva. Enquanto caminhava apressada, procurava o objeto na bolsa.
De repente, bateu com força em alguém. Sua bolsa caiu, espalhando tudo pelo chão.
— Me desculpe, me desculpe...
Enquanto pedia desculpas, Valentina se abaixou para juntar suas coisas.
— Valentina Lacerda?
Natan Serra não esperava encontrar Valentina ali.
— O que você está fazendo aqui?
Valentina, no momento, não queria contato algum com Benjamin Freitas ou seus amigos.
Juntou suas coisas, despediu-se da advogada que a acompanhava até a porta e simplesmente ignorou Natan, saindo sem olhar para trás.
Natan franziu a testa, ergueu o queixo e perguntou para a advogada:
Assim que viu o pai, disparou em sua direção com passos curtos.
— Papai!
Benjamin abaixou-se e a pegou no colo, beijando-lhe o rosto macio.
A menina logo notou os presentes nas mãos do mordomo.
— Papai, essas flores são pra mim?
— São para a tia Valentina. Ela vai voltar hoje.
— Sério? Que bom!
A criança já nem se lembrava das últimas brigas, só pensava que Valentina voltaria para brincar com ela.
Sentou-se ansiosa no sofá da sala, de olho na porta, esperando ser a primeira a ver Valentina chegar.
Queria mostrar a ela o vestido novo.
O vestido que a mãe comprara — lindo, novinho.
Mas esperou tanto que seu estômago roncou e Valentina Lacerda não apareceu...
Quando Benjamin saiu do escritório, a noite já estava fechada.
Pegou o telefone, pronto para ligar para Valentina, mas quem ligou primeiro foi seu amigo, Natan Serra.

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