Ela ainda tinha a mãe!
Ela podia pedir para a mãe ficar com ela!
Benjamin Freitas não suportava ver a filha triste, ainda mais sabendo que, depois de esperar tanto tempo por Valentina Lacerda naquele dia, com certeza ela estava magoada. Nesse momento, seria bom pedir para Helena vir lhe fazer companhia.
— Então, o papai vai ligar para saber se a mamãe pode vir hoje. Se ela já estiver descansando, a gente pede para ela vir amanhã, pode ser?
A pequena Estrela assentiu, fungando.
Ela tinha certeza de que a mãe viria ficar com ela!
A mãe sempre dissera que ela e o pai eram as pessoas que mais a amavam no mundo.
Depois de ajeitar a filha, Benjamin Freitas saiu de casa.
A situação com Valentina Lacerda precisava ser resolvida o quanto antes.
Se ela fizesse um escândalo e acabasse descobrindo o que aconteceu anos atrás, Helena e Estrela poderiam acabar se envolvendo.
Ele jamais permitiria que isso acontecesse!
Ainda bem que, no fundo, Valentina Lacerda só estava criando confusão para chamar a atenção dele.
Por mais que achasse aquela mulher tola, naquele instante ele até se sentiu aliviado.
Tola ou não, pelo menos não exigiria muito esforço para manipulá-la.
No caminho, ele ligou para Nádia Assunção.
— Descubra de qual restaurante a senhora costuma pedir jantar e doces. Me passe a lista em até meia hora!
Ao ouvir isso, até mesmo a eficiente Nádia Assunção hesitou antes de perguntar, contrariando uma das regras básicas do trabalho de secretária:
— Diretor Freitas, o senhor quer que eu descubra as preferências da Valentina Lacerda? Ou da Helena Barbosa?
A voz de Benjamin Freitas ficou fria:
— Da Valentina Lacerda!
— Certo, Diretor Freitas!
Mesmo sem entender muito bem, Nádia Assunção não insistiu.
Ela encerrou imediatamente o encontro com o rapaz e voltou ao modo de trabalho.
Vinte minutos depois, Benjamin Freitas recebeu uma lista:
Definitivamente, ele perdera o encanto para ela.
Benjamin Freitas estacionou o carro embaixo do prédio de Valentina Lacerda.
O entregador ainda não tinha chegado. Benjamin desceu do carro e acendeu um cigarro.
Já era final de ano e as noites em Cidade Capital estavam bem frias.
Uma rajada de vento gelado o fez estremecer.
Ele voltou imediatamente para dentro do carro.
Pensar que, um dia, para agradar uma mulher, ele estava ali, no meio da noite, entregando doces e enfrentando o frio... Talvez estivesse realmente ficando louco!
Ergueu os olhos para o céu noturno.
Não havia muitas estrelas naquela noite, mas uma, acima de sua cabeça, brilhava intensamente.
Benjamin Freitas tragou o cigarro, soltando uma nuvem de fumaça azulada.
Falou baixinho, como se conversasse com o vazio:
— Deixa pra lá... No fim das contas, estou apenas pagando o que te devo!

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