— Não me chame de mãe!
A voz de Tereza Rodrigues soou aguda.
Sempre tão elegante e comedida, agora ela tremia de raiva.
— Valentina Lacerda! Você faz ideia do que está fazendo?
— Você sabe o quanto custou para sua mãe conseguir que você se casasse com a família Freitas? Tudo isso foi para que você tivesse segurança no futuro!
Tereza Rodrigues olhou para a filha com uma mistura de decepção e angústia; não se sabia ao certo se era pura raiva ou tristeza, mas as lágrimas já brilhavam em seus olhos.
Ela respirou fundo, tentando se acalmar, e sua voz tornou-se mais suave.
— Filha, escute sua mãe, não pode se divorciar.
Ela acariciou o rosto de Valentina, secando-lhe as lágrimas.
— Todo casal tem desentendimentos! Benjamin até que não te trata mal.
— Na verdade, se vocês tiverem outro filho, muitos problemas serão resolvidos naturalmente.
— Fique tranquila, mamãe vai encontrar um Doutor de fitoterapia para te ajudar a cuidar da saúde.
— Lembre-se bem do que estou dizendo: o maior apoio de uma mulher é o marido. Só construindo bem a própria família é que uma mulher alcança o verdadeiro sucesso.
Essas palavras, Valentina Lacerda já ouvira incontáveis vezes.
No passado, ela até acreditava nisso. Realmente tentara agir assim.
Mas cinco anos lhe ensinaram uma verdade:
Existem corações que nunca se aquecem, não importa o quanto você tente.
Quanto a depender do marido…
Valentina olhou para a mãe, sem saber, naquele momento, se a mulher que vivia iludida era digna de pena ou sorte.
— Mãe, o divórcio… já está decidido.
— Além do casamento, tenho outras coisas a fazer. Já decidi prestar doutorado e vou voltar a trabalhar na casa de leilões, então não precisa se preocupar comigo!
Tereza encarou a filha, que falava com tanta firmeza, sentindo uma decepção profunda.
Não conseguia entender como uma filha criada com tanto cuidado poderia querer o divórcio!
Como sua filha não era capaz de manter um casamento?
— Valentina Lacerda, me diga: esse divórcio, foi você ou Benjamin Freitas quem propôs?
— Se foi Benjamin, sua mãe pode te ajudar a salvar esse casamento.
Enxugou as lágrimas.
— Mãe, casamento é assunto meu. Já está decidido.
Ao ver que a filha não mudaria de ideia, Tereza deixou uma ameaça no ar:
— Se você realmente se divorciar, pra mim é como se não tivesse mais filha!
Dito isso, abriu a porta do carro e se afastou sem olhar para trás.
Valentina viu a mãe sumir à distância, sentindo que, sob aquele vestido luxuoso, havia uma alma profundamente infeliz.
Sua mãe poderia ter sido uma artista de ópera mundialmente famosa, mas décadas de casamento a fizeram esquecer de quem era, e até sua felicidade dependia dos outros.
Pior ainda, ela queria que Valentina seguisse o mesmo caminho…
Enquanto refletia, o telefone tocou. Era Benjamin Freitas.
Valentina achou que ele queria marcar para discutir o divórcio e atendeu.
— Volte para casa hoje à noite. Preciso falar com você.
A voz de Benjamin Freitas era tão fria quanto sempre, sem qualquer traço de sentimento.
Lembrando-se das duas últimas vezes em que voltara para casa e só se irritara, desta vez Valentina não queria ir.

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