Valentina Lacerda levantou os olhos e observou, por um instante, a animação do outro lado do lago. Em seguida, baixou o olhar para o convite que exibia na tela do celular.
Ela sabia muito bem que, no mundo dos adultos, não existe um preto no branco absoluto. Se quisesse seguir uma carreira nos negócios, em vez de ser apenas uma acadêmica, não poderia usar apenas suas preferências pessoais como critério para escolher com quem conviver.
Hesitou por um momento, mas logo decidiu que iria comparecer.
Yasmin Teixeira já havia separado o presente e solicitado a entrega rápida pelo serviço da cidade.
Depois de avisar a mãe, Valentina Lacerda foi para o quarto, onde começou a se arrumar e a maquiar-se.
Quando entrou no closet e se deparou com o armário repleto de roupas, sentiu-se um tanto frustrada.
Não tinha nenhum vestido de festa adequado ali; todos os anteriores tinham ficado no Residencial Jardim do Sol e não os trouxera consigo.
Enquanto ponderava se deveria ir ao centro procurar uma loja de vestidos, lembrou-se do traje tradicional que sua mãe mandara confeccionar para o seu aniversário de dezoito anos com o mais renomado alfaiate de traje tradicional da Cidade R.
Rapidamente encontrou o traje tradicional. Mesmo após tantos anos, continuava sendo uma peça que chamava atenção.
A dúvida era se, depois de tanto tempo, ainda conseguiria vesti-lo.
Felizmente, serviu perfeitamente.
Na verdade, agora ele ficava até um pouco mais folgado na cintura e no abdômen do que quando tinha dezoito anos, época em que ainda exibia um pouco de bochechas infantis e o corpo não era tão delineado como agora.
Por outro lado, o busto estava mais cheio e, abaixo da cintura fina, o quadril arredondado revelava uma feminilidade que antes não possuía.
A mulher refletida no espelho carregava agora o charme de uma maturidade que não existia na juventude.
Sem outras opções, Valentina Lacerda decidiu usar mesmo aquele traje tradicional.
Tirou a peça e entregou à empregada para que fosse passada a ferro, enquanto ela voltava ao quarto para tomar banho e terminar de se maquiar.
Logo a empregada subiu com o traje tradicional perfeitamente passado. Valentina prendeu os cabelos longos com um grampo ornamentado, deixando uma mecha solta repousar sobre o ombro direito.
Vestiu-se e desceu as escadas.
Tereza Rodrigues já sabia, desde que a empregada comentou, que a filha usaria aquele traje tradicional para o jantar naquela noite.



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