Havia certa dor, mas também orgulho...
Tereza sabia muito bem que, há pouco, sua filha só disse aquilo para animá-la de propósito.
Embora estivesse em Cidade Capital há apenas dois dias, já percebera como sua querida vivia exausta a cada jornada.
Sua querida, criada com tanto carinho desde pequena, depois de se casar, sofreu inúmeras adversidades e agora batalhava sozinha naquela cidade.
Era difícil imaginar o quanto tudo aquilo era penoso.
Como mãe, sempre temia se tornar um fardo para a filha, sempre temia não ter nada para oferecer.
Tereza Rodrigues olhou para suas próprias pernas.
Ela apenas estava doente, nem sequer tinha cinquenta anos.
Não podia permitir que sua filha, tão jovem, já carregasse tamanho peso no coração. Precisava se tornar uma versão melhor de si mesma, para sustentar sua querida...
Valentina Lacerda chegou à mansão da família Ortega, entregou o convite ao porteiro e logo entrou.
No salão do primeiro andar, ouvia-se o som de um piano. Valentina adentrou a casa, entregou o casaco a um dos empregados.
Segurando a bolsa Bordado de Viana que ganhara da mãe e caminhando com saltos altos, entrou no recinto.
Lá dentro, vários rostos conhecidos. Afinal, o círculo da elite de Cidade Capital era bem restrito.
Logo, também a reconheceram.
— Sra. Freitas, quanto tempo!
— Sra. Freitas, seu traje tradicional hoje está belíssimo. Assim que você chega, todas nós parecemos patinhos feios.
— Sra. Freitas, veio sozinha? Por que não está com o Sr. Freitas?
— Ou será que a Sra. Freitas veio escondida, sem avisar o Sr. Freitas?
...


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