Ela caminhava em direção ao elevador, seus passos marcados pelo som dos saltos altos ecoando no corredor silencioso.
Estava exausta. Encostou-se na parede do elevador e fechou os olhos, buscando um breve alívio.
O elevador soou com um “ding” suave ao abrir-se.
Valentina Lacerda saiu, abriu a porta de casa e entrou.
Não acendeu a luz.
O ambiente mergulhava em completa escuridão.
Valentina Lacerda tateou até o sofá e deixou-se afundar na maciez dos estofados.
Ergueu o braço, apoiando-o sobre os olhos.
Seu corpo, delicado e esguio, parecia ainda menor e mais vulnerável naquela imensidão de sofá. Quem a visse ali, não conseguiria evitar um sentimento de compaixão.
A luz fraca dos letreiros da cidade projetava sombras tênues pelo cômodo.
Na penumbra, sua silhueta ganhava um aspecto de fragilidade quase quebradiça.
Benjamin Freitas estava sentado exatamente à sua frente; desde o instante em que Valentina entrou, ele a observava.
Inicialmente, queria explicar a ela que não tivera nada a ver com o ocorrido com Sérgio Lacerda.
Também pretendia alertá-la: devia manter distância de Marcos Dourado!
Sim, Benjamin sabia até mesmo do encontro entre Valentina e Marcos naquela noite.
Meia hora antes, Benjamin Freitas já havia chegado ao apartamento de Valentina Lacerda.
Munido da certidão de casamento, solicitou à administração do prédio uma chave reserva e entrou.
Na visita do dia anterior, sua raiva com Valentina não lhe permitira reparar na casa com atenção.
Agora, ao cruzar a porta, viu, logo na sala, uma coleção de troféus alinhados em local de destaque.
Cada um deles reluzia, impecavelmente limpo.
Mesmo as peças que Valentina recuperara ontem, durante a discussão, estavam guardadas atrás dos troféus, sem tanta importância.
Benjamin se aproximou para observar melhor.
Entre os troféus, havia prêmios nacionais e internacionais.
“Personalidade do Ano no Mercado de Leilões das Américas”


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