“Podemos ir embora agora?” Kendra encarou Albus fixamente.
Com uma das mãos segurando a de sua filha, Kendra manteve os olhos cravados em Albus do outro lado da mesa. Sua intenção era cristalina: ela levaria seu filho e sua filha naquele exato momento. Não ficaria nem mais um segundo.
A breve refeição havia terminado em um piscar de olhos, e Albus ainda estava imerso na sensação agradável que ela proporcionara. Suas sobrancelhas se franziram, irritado por ela ter estilhaçado algo que parecia quase doce.
Ver a frieza dela e sua ânsia em levar as crianças azedou ainda mais o humor dele.
Será que um minuto a mais com ele era realmente pedir demais?
Mesmo hoje, ela ainda o desprezava.
Albus pressionou os lábios. “Peça a alguém para levar os dois para casa primeiro. Preciso falar com você.”
Kendra franziu a testa. “Diga agora.” O que ele poderia querer dizer longe das crianças?
“Não são apenas algumas palavras. Tenho algo para você — algo que seus pais me entregaram no dia em que morreram. Considere uma lembrança.”
O olhar de Kendra tornou-se gélido. “Uma lembrança? O que é?”
Por que os pais dela dariam algo a ele?
Mesmo que houvesse uma lembrança, as chances eram de que ele a tivesse tomado e escondido.
“Eu também não sei o que é. Está em uma caixa. Nunca a abri.”
Kendra sustentou o olhar dele, pesando o quanto aquilo soava real.
Sabendo que ela duvidava dele, Albus se levantou, deslizando uma mão no bolso. “Se não quiser, tudo bem. É inútil para mim. Vou apenas jogar no lixo.” Ele se virou para sair.
Kendra agarrou o braço dele. “Não se atreva a mentir para mim.” A lembrança de seus pais — é claro que ela a queria de volta. De jeito nenhum permitiria que ele a descartasse.
Albus não respondeu. Ele estava deixando a decisão nas mãos dela.
Kendra disse a Achi para levar as duas crianças para casa primeiro. Ela iria com Albus.
A pequena travessa agarrou-se à mão dela, inquieta. “Mamãe, você vai mesmo com o senhor malvado? Ele não está tramando nada de bom com você.”
“Está tudo bem. Mamãe só vai buscar uma coisa e volta logo. Seja boazinha e vá para casa com Jim.” Ela alisou o cabelo da filha para acalmá-la.
Jim encarou o pai com um olhar frio. “É melhor você não maltratar minha mamãe. Ou eu não vou deixar barato.”
Albus arqueou uma sobrancelha e lançou um olhar gelado ao filho. O pirralho estava audacioso o suficiente para ameaçá-lo agora?
“Entenda uma coisa. Sim, ela é sua mamãe. Mas, acima de tudo, ela é a minha mulher.”
“Você.” Ele não suavizou o golpe.
Kendra piscou, atônita, e então exibiu um sorriso de escárnio. “Poupe-me do teatro. Vá direto ao ponto.”
Os olhos sombrios dele perfuraram os dela, a voz caindo para um murmúrio baixo e perigoso. “Esse é o ponto. Eu só quero você.”
Antes que ela pudesse falar, ele acrescentou: “Fique comigo por um mês. Eu lhe entregarei a lembrança de seus pais.”
Kendra inspirou profundamente, achando que tinha ouvido mal. “Um mês com você?” Ela bufou. “Albus, seu cérebro entrou em curto-circuito? Como você pôde sequer pensar nisso?” Nem em um milhão de anos.
“Você não quer a lembrança dos seus pais?” O cérebro dele não estava em curto. Era exatamente aquilo que ele desejava.
“Claro que eu quero. Mas se essa é a sua condição, eu a terei de volta de outra maneira.” Não havia chance de ela aceitar aquela exigência absurda.
Ela se virou para partir.
Os olhos de Albus tornaram-se frios como gelo. “Você está mesmo me recusando?” O tom de voz dele caiu alguns graus.
Kendra não olhou para trás nem respondeu. Ela chegou ao seu carro e estendeu a mão para a porta.
Uma pressão súbita surgiu atrás dela. O instinto mandou que ela se esquivasse, mas era tarde demais. Uma dor surda floresceu na base de seu pescoço, e o mundo começou a girar e escurecer...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Pai Bilionário do Meu Filho
Hummm, hora de descobrir que o bebê é filha da Jéssica....
Esse Neil é realmente louco, mas um louco engraçado gostei desse personagem muito bom....
CriCriCri...estou sem palavras, o cara se matou por causa de uma louca que já se foi, que lealdade macabra....
Vixi coitado do Arthur, acho que eles vão acabar matando essa criança,essa mulher não conhece algo parecido como gravador de um celular ou caneta gravadora, falta mais emoção nesta história e astúcia também por parte da protagonista....
Aliás está mansão não tem câmeras, nunca vi isso 😕. Hoje em dia até casas mais simples tem câmeras....
Falei, se Charles não aparece essa mãe não é capaz de defender seu próprio filho,acho esse personagem fraco sem habilidades de defesas tanto físicas quanto moral. Está criança vai sofrer muito se não souber se defender sozinho do inimigo...
Vamos lá, quem casa quer casa, ela não é obrigada a compartilhar de sua vida de família de três com ninguém ,ainda mais com os seus inimigos jurados, então sim sair deste lugar seria estrategicamente uma opção muito melhor, não significa fugir da guerra mas planejar estratégias muito melhor e de quebra defender seu filho, que com essas cobras aí vai ser alvo fácil com certeza....
Se impor faz bem de vez em quando sabia....
O que rapaz , faça logo um escarcéu e pronto que que é isso eu em, ninguém pode separar os filhos de seus pais e quem é este velho para falar assim dela só porque tem dinheiro é isto mesmo? Hoje rico amanhã pobre....😡😡😡...
Garota esperta, é isso ai só espero que não se torne obcecada para destruir o casamento deste casal, lindo, que romântico esses dois....