O mar estava gélido, cortante.
Aelita Almeida lutava desesperadamente para emergir.
— So... socorro. — O grito saiu fraco, quase um sussurro, enquanto sua visão turva buscava o iate de luxo iluminado a algumas dezenas de metros dali.
O convés estava repleto de silhuetas em pânico e confusão.
Havia poucos minutos, ela celebrava seu noivado com Octávio Guedes naquele mesmo iate. Lina Almeida, sua meia-irmã, fingiu querer admirar a paisagem de braços dados com ela, apenas para, num momento de distração, empurrá-la para a escuridão do oceano.
No pânico da queda, Aelita agarrou Lina e a puxou junto para a água.
Havia um minuto, seu noivo, Octávio, mergulhara no mar sem hesitar.
Ela pensou que ele vinha salvá-la.
No entanto, a realidade lhe desferiu um golpe ainda mais cruel.
Ao entrar na água, Octávio sequer olhou na direção dela. Ele nadou com vigor em direção a Lina.
Agora, a poucos metros de distância, Octávio sustentava Lina desesperadamente, nadando em direção a um bote salva-vidas.
Aelita lutava para não afundar na água gelada, mas seu coração estava congelado de tristeza. Um desespero avassalador fazia seu corpo afundar involuntariamente.
Ela não aceitava. Não podia aceitar aquilo!
Será que ela, Aelita, morreria ali hoje? No dia do seu próprio noivado?
No instante em que estava prestes a perder a consciência e afundar na escuridão infinita...
Ouviu um som de impacto na água não muito longe.
Uma figura mergulhou sem hesitação, ágil como um leopardo, rompendo a superfície e nadando velozmente em direção ao local onde Aelita afundava.
Mesmo molhado, era impossível esconder a aura de estabilidade e frieza que ele emanava.
Aelita encontrou o olhar dele. Um impulso incontrolável tomou conta de seu ser. Ela respirou fundo, conteve as emoções e, com clareza, dirigiu-se ao desconhecido:
— Ei, bonitão. Você é solteiro?
A pergunta fez o convés inteiro silenciar. Octávio, que consolava Lina suavemente, ergueu a cabeça num solavanco, olhando para ela com espanto.
O homem questionado também pareceu surpreso por um instante. Um leve traço de espanto cruzou seus olhos profundos, mas logo ele estreitou o olhar e, inesperadamente, assentiu com a cabeça.
Aelita apertou o cobertor ao redor do corpo, levantou-se, endireitou a coluna e ofereceu ao homem um sorriso pálido, mas extremamente sério. Apresentou-se:
— Olá. Eu me chamo Aelita, tenho vinte e quatro anos, sou solteira, saudável e não tenho vícios. — Ela fez uma pausa, e então perguntou, pronunciando cada palavra com clareza cristalina: — Posso ser sua namorada?
— Aelita, você ficou maluca? — Octávio finalmente reagiu, com o rosto lívido. — Venha aqui. Eu posso explicar.

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