Já quase no final, a música ambiente da festa de casamento de Isabel e Alessio ainda ressoava suavemente pelo gramado da mansão Moretti, mas para Nicola e Juliana, o mundo exterior deixou de existir no instante em que subiram as escadas às pressas. Escalando a privacidade como dois fugitivos, Nicola puxou-a para o seu antigo quarto de solteiro. Ao bater a porta, o baque surdo abafou todo o burburinho da celebração, selando-os em um universo feito apenas de respirações desreguladas e memórias não resolvidas.
Ele encostou a espinha contra a madeira, curvando os lábios num sorriso enviesado, o olhar sombrio e faminto percorrendo as curvas de Juliana.
— Então você realmente não sente nem um pingo de culpa por me deixar tanto tempo sem você?
A voz dele veio como um sussurro aveludado, denso de uma provocação que cruzava a linha do perigoso.
Juliana não recuou. Os cantos de seus lábios vermelhos se ergueram devagar. Ela deu um passo à frente, ajustando a postura com a elegância de quem sabia exatamente o poder que detinha sobre ele.
— Você é um chantagista barato, sabia disso?
O impacto das palavras dela fez o controle de Nicola ruir. Incrédulo diante daquela mulher que o encarava com olhos brilhantes de malícia, ele não hesitou. Ergueu a mão grossa, envolveu a nuca dela com firmeza e a puxou de encontro ao seu peito. Juliana não lutou; ao contrário, entreabriu a boca no exato segundo em que ele a tomou em um beijo feroz, capturando seus lábios com uma sede reprimida por semanas.
— Você estava apenas brincando comigo?
Ele rosnou contra a pele do pescoço dela, a voz falhando pelo peso do sentimento.
— Mas eu levei isso a sério.
A possessividade dele transbordou. O tecido fino do vestido dela cedeu sob a pressão das mãos impacientes de Nicola. Ele a conduziu até a cama, virou-a com domínio absoluto e a pressionou contra o colchão. A gentileza polida dos salões de festa desapareceu, dando lugar a uma entrega crua, intensa e visceral. E era exatamente aquela entrega sem filtros, aquele desejo indomável, que fazia o sangue de Juliana ferver. Ela se entregou a cada movimento, acolhendo a intensidade dele como um refúgio.
Minutos depois, com o ritmo dos corpos perfeitamente entrelaçados, Nicola soltou um riso baixo, rouco, o suor brilhando em suas costas.
— Olhe só para você... Isso é o que acontece quando você decide me provocar.
Juliana curvou o corpo para cima, segurando os ombros largos dele, o olhar nublado por um desejo insaciável.
— Hoje você está completamente fora de controle.
— Porque eu sou louco por você.
Ele murmurou, mantendo os olhos fixos nos dela, unindo seus destinos na escuridão do quarto.
— Durante todo aquele período do nosso acordo de namoro falso... Toda vez que estávamos assim, eu podia sentir. Eu sabia que você me amava.
A lembrança trouxe uma sombra para o olhar de Juliana. A vulnerabilidade subiu à superfície, temperando a paixão com uma dor antiga.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO Italiano e a Brasileira