Romana desabou na cadeira giratória assim que a porta da presidência se fechou.
— Um detector de metais... Porque ele quer um? Esse homem está cada dia com pedidos bizarros.
Murmurou para o vazio do corredor do último andar silencioso, passando a mão pelo rosto cansado.
— O que esse homem está aprontando? Será alguma tara bizarra com a namoradinha Juliana? Só pode ser fetiche. Quem diria a Juliana com aquela carinha de anjo aceitar essas propostas. Esse povo que transborda dinheiro não tem mais o que inventar para sentir algum prazer.
Ela soltou um riso abafado, mas o incômodo na espinha permanecia. No império Moretti, desconfiança nunca era apenas um capricho.
Na manhã seguinte, os ponteiros do relógio de parede bateram pontualmente nove horas. O som seco de saltos altos ecoando pelo mármore anunciou a chegada de Anitta Galli. A mulher vestia um tailored impecável, os ombros eretos e a postura de quem não pedia licença para existir.
Romana ergueu os olhos, engolindo em seco.
— Pode entrar, senhora Galli. O senhor Moretti já a aguarda.
Anitta nem sequer agradeceu. Ajustou a bolsa no ombro e marchou em direção ao santuário do magnata como se fosse a legítima dona daquela holding. Ao cruzar o limiar, encontrou Nicola banhado pela luz fria que entrava pelas vitrais do último andar, mergulhado em papéis.
Sem erguer os olhos de imediato, a voz dele cortou o ar como lâmina:
— Seja bem-vinda, Sra. Galli. Sente-se. A que devo a honra desta reunião tão emergencial e... indispensável?
Anitta puxou a cadeira de couro sem pedir permissão e ostentou um sorriso venenoso.


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