Na semana seguinte, o suntuoso saguão do Grupo Moretti foi transformado no palco particular de um furacão chamado Anitta Galli. A amiga de Caterina pisou no mármore importado antes mesmo de o sol terminar de se espreguiçar no céu, ostentando óculos escuros gigantescos e uma determinação quase assustadora. Ela marchou até o balcão da recepção como quem estava prestes a tomar o controle de uma pequena nação exigindo falar com Nicola Moretti.
A recepcionista, cujo crachá dizia "Patrícia", mas cujo olhar gritava "eu não ganho o suficiente para isso", a encarou com a calma analítica de quem já viu de tudo naquele prédio.
— Senhora Galli, bom dia. Eu não posso liberar sua passagem pela catraca.
Explicou Patrícia, mantendo a postura impecável.
— Regra número um da empresa: primeiro eu preciso checar com a secretária do Sr. Moretti se a senhora tem agendamento.
Anitta baixou os óculos escuros na ponta do nariz, fingindo uma indignação digna de Oscar:
— Eu não tenho agendamento, minha querida, eu tenho uma emergência para tratar com ele! Preciso falar com o Nicola Moretti urgente. Avise a secretária dele que eu exijo um horário com ele ainda hoje. Nem que seja durante a pausa dele para o café.
Suspirando em silêncio, a recepcionista discou o ramal de Romana, a lendária secretária-geral da presidência, conhecida por ter a paciência do tamanho de um grão de areia.
— Romana? Tem uma senhora aqui na recepção... Anitta Galli. Ela está exigindo encontrar o Sr. Moretti em caráter de urgência máxima.
Do outro lado, Romana nem piscou. Conhecendo a agenda do chefe melhor do que o próprio itinerário da sua vida, respondeu sem hesitar:
— Avisa a ela que hoje o Sr. Moretti não tem horário nem para respirar, quanto mais para visitas surpresa.
A recepcionista desligou e devolveu um sorriso simpático, porém implacável:
— Sinto muito, senhora. A secretária avisou que a agenda dele está mais lotada que o metrô às seis da tarde. Sem chance hoje já que a senhora não tem horário agendado.

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