O murmúrio das conversas que preenchia o salão suntuoso se dissipou em um suspiro coletivo assim que as portas se abriram. As luzes pareciam se curvar à presença de Vittória, que avançava a passos lentos ao lado do seu pai. O vestido de noiva, uma obra-prima de rendas delicadas e caimento impecável, abraçava sua silhueta como se tivesse sido desenhado por anjos, fazendo cada joia reluzir sob a luz dos lustres de cristal.
No altar, o peito de Valério se contraiu. Ele tentou manter a postura firme, mas a emoção foi mais forte: a respiração travou na garganta e os olhos lacrimejaram ao ver a mulher da sua vida caminhar em sua direção. O salão pulsava com a euforia contagiante das famílias, unidas finalmente em uma celebração que parecia um evento predestinado.
A um canto, Elisabetta observava a cena com a mão sobre o peito, sem conseguir conter as lágrimas quentes que desciam por seu rosto. Ver o filho diante do altar com uma jovem de linhagem tão distinta e alma nobre era o ápice de sua alegria.
— Enfim, meu filho encontrou uma moça boa para se casar.
Segredou Elisabetta, limpando o canto dos olhos com um lenço de seda.
— Eu fico tão feliz... Eu sabia! Aquela implicância toda dos dois desde a adolescência nunca foi raiva. Ali era amor se escondendo.
Stella, ao seu lado, soltou uma risadinha suave, acompanhando o olhar da cunhada.
— É a mais pura verdade, Elisabetta. Eu sempre pensei a mesma coisa. Eles nasceram um para o outro, formam um casal perfeito.
Enquanto isso, a marcha nupcial atingia seu clímax. Giorgio Mancini conduziu a filha até os degraus do altar. Com um olhar paternal carregado de orgulho e um leve nó na garganta, colocou a mão de Vittória sobre a de Valério.
Assim que as mãos se tocaram, uma faísca familiar acendeu entre os dois. Valério se aproximou do ouvido dela, inclinando-se com um sorriso de canto, e sussurrou com a voz aveludada:
— Enfim vou casar com você, minha saracura!
Vittória revirou os olhos, mas o canto de seus lábios traiu a tentativa de parecer séria, revelando um brilho apaixonado no olhar.
— Até no dia do nosso casamento você tem que me chamar de Saracura, Valério?
Ele apenas deu um sorriso cúmplice, apertando suavemente seus dedos.
O padre deu início à celebração, e cada palavra dita ecoou como uma promessa sagrada. O momento da troca das alianças parou o tempo: as alianças reluzente nos dedos de ambos selou não apenas um contrato, mas anos de provocações, olhares disfarçados e uma paixão inevitável. Após o beijo que arrancou aplausos efusivos dos convidados, a festa transicionou com perfeição no próprio salão, dando lugar a uma noite mágica de brindes, música e celebração ao amor.
No dia seguinte, Valério e Vittoria embarcaram para a lua de mel de uma semana em Cancún.

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