O silêncio no escritório era denso, quase sufocante, quebrado apenas pelo som descompassado da respiração dos dois. Nicola deu dois passos à frente, a mandíbula travada, os olhos faiscando com uma mistura de desprezo e alívio tardio. A ficha finalmente tinha caído, e a verdade o queimava por dentro.
— Cala a boca, Caterina!
A voz de Nicola ecoou, grave e cortante como uma lâmina.
— Você não tem moral nenhuma para pronunciar o nome da Gina, muito menos o da Juliana. Eu demorei, mas finalmente enxerguei a jogada. Essa criança... isso nunca foi um acidente. Foi um golpe da barriga friamente calculado.
Caterina tentou dar um passo atrás, mas a postura rígida de Nicola a encurralava contra a pesada mesa de mogno.
— Agora tudo faz sentido.
Ele continuou, o tom subindo carregado de escárnio.
— Você esperou a noite perfeita. Viu que eu tinha bebido além da conta, aproveitou o meu estado e mentiu descaradamente dizendo que tomava anticoncepcional só para me impedir de comprar a pílula do dia seguinte! Eu caí feito um idiota na sua armadilha. Você planejou cada detalhe dessa gravidez.
Caterina cruzou os braços, tentando sustentar o olhar, embora um vinco de tensão traísse sua testa. Ela engoliu em seco, forçando uma voz firme que soava nitidamente ensaiada.
— Eu não faço a menor ideia do que você está inventando, Nicola.
Respondeu ela, erguendo o queixo em um gesto desafiador.
— É claro que eu tomava remédio. Se esse bebê está aqui, é porque tinha que ser. Era o meu destino ser mãe dele! Não venha me acusar com suas paranóias só para lavar as mãos.
A risada que escapou da garganta de Nicola foi seca, sem um pingo de humor. A tensão em seus ombros era palpável, mas quando ele voltou a falar, sua voz caiu para um sussurro perigosamente calmo.


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