— Trabalhar com você seria uma tortura. Ela gosta de você de verdade, e você gosta dela, mas é burro demais para enxergar um palmo além do próprio umbigo.
Nicola fechou o cara e ajeitou o terno:
— Você sabe muito bem que aquele contrato de namoro falso só servia para beneficiar a Caterina. A Juliana sabia onde estava se metendo. O contrato acabou e eu vou honrar minha palavra: vou casar com a Caterina. Principalmente agora que ela está esperando um filho meu. Vou dar meu sobrenome a ele.
— Faça a besteira que quiser.
Suspirou Valério.
— Só faça bem feito para o vovô não descobrir o golpe de uma vez. Quando você aparecer com a Caterina a tiracolo e grávida, o baque vai ser tão grande que tenho medo do coração do velho não aguentar.
— Já pensei nisso.
Respondeu Nicola, ostentando uma falsa autoconfiança.
— Depois do seu noivado, assumo a Caterina. Espero umas semanas e anuncio a gravidez. Quando o vovô perguntar, digo que estava carente, recaí na tentação e, puf, ela engravidou. História perfeita. Todos vão engolir.
Valério soltou uma gargalhada irônica:
— Primo, seu plano é genial... até alguém saber usar uma calculadora. A família Moretti não é burra. Essa criança vai nascer de nove meses parecendo ter nascido de sete. Vão perceber na hora que você traiu a Juliana.
— Não importa!
Sentenciou Nicola, estufando o peito.
— Eu já vou estar casado e a criança registrada com o sobrenome Moretti. Com o bebê no colo, ninguém vai ousar fazer escândalo. O vovô e a família vão engolir a seco para preservar a reputação do garoto.

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