Naquela mesma noite, mal pondo os pés fora do apartamento de Juliana, Nicola rumou direto para a mansão Moretti. A razão do apuro? Donato, o patriarca da família, estava espumando de raiva à sua procura. Ao cruzar o hall, deu de cara com a mãe, Stella, que ostentava uma expressão de puro pânico dramático:
— Graças a Deus você apareceu, Nicola! O seu avô está no escritório. Ele já rosnou para os quadros da parede três vezes. Boa sorte.
Na sala de estar, o clima era de velório VIP. O clã Moretti inteiro mantinha os olhos fixos no tapete, sem ousar emitir um piu. Até Valério, o falastrão oficial da família, parecia ter esquecido como se articula uma palavra. Ele sabia muito bem que o primo estava prestes a entrar na cova do leão.
Engolindo a seco, Nicola empurrou a porta do escritório. Donato nem esperou ele sentar:
— Até que enfim, Nicola! Estou te ligando desde ontem! Dá para me explicar que diabos de nota oficial a Juliana publicou no site do Grupo Moretti anunciando o término de vocês?!
Nicola sentiu o suor frio escorrer pelas costas, mas vestiu sua melhor cara de pau:
— Vovô, como o senhor já sabe... a Juliana e eu não temos mais nada. O fim partiu dela, não de mim! Por mim, estaríamos juntos, mas ela surtou e resolveu avisar a imprensa inteira. Estou de mãos atadas, vovô. Sou uma vítima!
— Ah, uma vítima?
Ironizou Donato, cruzando os braços.
— Tão abalado com a repercussão que nem atendeu ao telefone ontem? Aonde você estava? Com quem estava?
— Me perdoe, vovô! Eu fiquei sem chão.
Improvisou Nicola, caprichando na voz embargada.
— Fui para um bar, afoguei as mágoas num oceano de uísque e cheguei em casa em estado vegetativo. Só hoje consegui reagir, mas a ressaca era tanta que minha cabeça parecia uma batedeira. Não tive forças para retornar.
Donato franziu o cenho, analisando a performance do neto:
— Pelo visto, o baque foi grande. Acho que você gostava mesmo dessa menina...
Sentindo o terreno perigoso da própria mentira, Nicola congelou por um segundo antes de engatar o drama:
— Gostava? Vovô, eu amo a Juliana! Não sei como vou aprender a viver sem o ar que ela respira. Mas sou um homem nobre: se ela não me ama mais, quero que seja feliz. Tentei falar com ela no apartamento agora pouco e fui sumariamente escorraçado.
— Nicola... você tem certeza de que não aprontou nada contra essa moça?
Desconfiou o velho.
— Certeza absoluta! Eu já ia pedir a mão dela em casamento, o senhor sabe disso! Em um mês estaríamos noivando!
— Tudo bem, pode ir.
Suspirou Donato, balançando a cabeça.
— Mas ainda tenho fé de que vocês vão criar juízo e reatar.
Ao retornar para a sala, Nicola deu um leve tapinha no ombro de Valério:

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