A sala principal da mansão Moretti parecia uma arena de gladiadores, com direito a veias saltando no pescoço do patriarca. Donato andava de um lado para o outro, encarando o telefone celular como se o aparelho tivesse cometido uma traição pessoal.
— Treze chamadas! Treze! E esse moleque não atende!
Rugiu Donato, batendo o aparelho contra a mesa de mogno.
— O departamento de RP solta uma nota oficial sobre o fim do namoro e o namorado simplesmente evapora?!
Stella, mantendo a classe impecável enquanto bebericava seu chá, tentou intervir antes que a pressão do sogro explodisse o lustre de cristal:
— Calma, meu sogro. Respire. A gente já esperava por esse desastre a qualquer momento, só não sabíamos o horário.
— Papai, temos que ter maturidade.
Interveio Dante, ajustando a gravata com uma calma quase irritante.
— A decisão partiu da Juliana. Ela mesma disse que não estava mais feliz ao lado do Nicola. Se a moça não quer mais, vamos fazer o quê? Amarrar os dois? Temos que respeitar.
Elisabetta, que até então fingia ler uma revista de fofocas, soltou um estalo audível com a língua e cruzou os braços:
— Respeitar? Por favor! Essa Juliana cuspiu foi no prato que comeu! Descartar um partidão como o Nicola? Isso não me cheira nada bem. Alguma coisa muito podre ela aprontou nos bastidores, escutem o que estou dizendo.
— Mamãe, pelo amor de Deus, guarde as suas teorias da conspiração para si.
Cortou Valério, revirando os olhos.
— A Juliana é uma moça exemplar. Se ela deu um pé na bunda do Nicola, motivos não faltaram. Ela é de uma família simples; no fundo, nunca se adaptou a essa nossa rotina de luxo, drama e champanhe no café da manhã. Provavelmente no futuro irá buscar alguém no nível social dela, sem cinco advogados no pé.
Donato soltou um suspiro dramático e desabou na poltrona do topo da mesa:
— Lamentável. Uma tragédia! Nicola nunca mais vai achar uma mulher daquele quilate. Mas fazer o quê? Vida que segue... Se foi escolha dela, engolimos o orgulho e respeitamos.
— Perfeitamente, papai.
Concordou Dante, assentindo como um boneco de posto.
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Enquanto o caos reinava na mansão Moretti, Nicola estava preso em outro tipo de purgatório: a cobertura de Caterina.
Caterina merecia um Oscar, um Emmy e talvez um Troféu Imprensa. Ela estava caída no sofá, com uma mão na testa e a outra segurando a barriga ainda lisa, soltando gemidos ensaiados de uma "fraqueza súbita" sempre que Nicola ameaçava ir embora. Só quando o sol começou a cair e a "crise" milagrosamente passou, ele conseguiu se desvencilhar dela e fugir.
Ao pisar em seu próprio apartamento, exausto e carregando uma bateria social totalmente zerada, Nicola plugou o celular no carregador. A tela acendeu parecendo um pisca-pisca de Natal: 13 chamadas perdidas do avô, 1 do advogado do Grupo Moretti e um número indefinido de notificações das redes sociais.
Ele olhou para o relógio, encarou a cama, olhou para o celular de novo e murmurou:
— O mundo que lute. Amanhã eu resolvo.

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