A manhã de segunda-feira no Grupo Moretti raiou sob uma atmosfera pesada, carregada por uma tensão silenciosa que parecia emanar do topo do edifício. No Departamento de Relações Públicas, o telefone na mesa de Juliana tocou. Ao atender, a voz de Nicola cortou a linha fria, cortante e desprovida de qualquer margem para cortesia:
— Minha sala. Agora!
Disse ele antes que ela pudesse soltar um único suspiro, o tom de ocupado ecoou. Sem espaço para hesitação, Juliana ajustou o postura, engoliu o nó que teimava em se formar em sua garganta e caminhou até o elevador rumo a presidência no último andar. Ao cruzar a porta de madeira nobre, encontrou Nicola sentado atrás da imponente mesa. O olhar dele era uma tempestade contida.
— Sente-se, Juliana. Precisamos conversar.
Disse ele, apontando a cadeira sem erguer os olhos de imediato.
Assim que ela se acomodou, tentando manter o pulso firme, ele disparou o golpe sem qualquer anestesia:
— A Caterina está grávida. E isso muda algumas coisas.
Uma dor afiada e dilacerante rasgou o peito de Juliana, como se o ar subitamente tivesse sido roubado do ambiente. Ainda assim, sua máscara de compostura não ruiu. Anos de autocontrole falaram mais alto. Ela sabia que aquele momento chegaria; afinal, a sombra daquela notícia já a perseguia desde aquele encontro hostil no restaurante, quase um mês atrás, quando Caterina fez questão de plantar a dúvida apenas pelo prazer de ver seu chão tremer.
— Sobre isso, Nicola... eu já sabia.
Respondeu Juliana, mantendo o tom de voz impecavelmente neutro.
Nicola arqueou a sobrancelha, inclinando-se para a frente, visivelmente desestabilizado.
— Sabia? Como? Nem a própria Caterina sabia até este final de semana, quando passou mal e fomos ao médico!
Um riso fraco e irônico escapou dos lábios de Juliana.


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