A segunda-feira não chegou: ela colidiu de frente com a rotina de Juliana e Isabel. Enquanto Isabel já tentava sobreviver ao batente no Grupo Salvattore, Juliana enfrentava o verdadeiro olho do furacão no Departamento de Relações Públicas do Grupo Moretti que, naquele dia, parecia mais um campo de treinamento para desarmar bombas.
Viviana entrou na sala quase deslizando pelo piso de porcelanato, parecendo alguém que acabou de presenciar um evento sobrenatural e terrível.
— Amiga, você não tem noção...
Sussurrou Viviana, puxando a cadeira e se inclinando como se revelasse um segredo de estado.
— Acabei de cruzar com a Romana no corredor. Ela disse que o Sr. Moretti está simplesmente insuportável. Nível vulcão em erupção.
Juliana nem tirou os olhos da tela do computador. Apenas ajeitou a postura, soltando uma risada seca.
— Ah, ou seja... uma segunda-feira normal? Não tem um único dia em que aquele homem não esteja insuportável, Vivi. Para você ter ideia, nem eu, que carrego a "dura missão" de ser namorada dele, estou aguentando. A cota de paciência já zerou antes do almoço.
Viviana cedeu a uma gargalhada contida.
— Socorro! Mas sério, amiga, tenta acalmar aquela fera com muitos beijos! Se o humor dele não melhorar, adivinha em quem a conta vai respingar? Exatamente, na gente, o mero proletariado do Relações Públicas. Você sabe que quando ele entra no modo "tirano", começa a exigir coisas totalmente absurdas.
— Nem me fale...
Juliana dramatizou, levando a mão ao peito.
— Do jeito que as coisas vão, daqui a pouco ele baixa uma ordem expressa mandando o nosso departamento gerenciar a crise existencial da vida dele. Posição de crise, pessoal!
Pietra, que até então fingia que estava digitando no cubículo ao lado, levantou a cabeça como um suricato curioso, com os olhos brilhando de empolgação.

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