A semana avançou sem controle, e o tom daquela tarde de quinta-feira carregava o peso de anos de silêncio, mas também a promessa de um recomeço. Quando o telefone tocou e o nome de Juliana piscou na tela, Isabel não imaginava que a sua sorte estava prestes a mudar.
— Isabel! Consegui!
A voz de Juliana veio carregada de ansiedade e euforia.
— Falei com a Zoe. Ela confirmou: você precisa estar no Grupo Salvattore amanhã, sexta-feira, pontualmente às nove da manhã. É a sua entrevista de emprego!
O coração de Isabel disparou. O impacto da notícia fez suas mãos tremerem enquanto segurava o celular contra o ouvido. Um turbilhão de emoções a invadiu. Correu até a pequena mesa bamba do seu quarto, onde o currículo recém-impresso repousava. Tocou o papel com a ponta dos dedos, quase sem acreditar. Finalmente, depois de tanto tempo sufocada, exerceria a profissão para a qual se dedicara com tanta paixão: Administração de Empresas.
Com a voz embargada e os olhos marejados, respondeu:
— Juliana... eu nem sei como te agradecer. Você não tem noção do que isso significa para mim. Estou tão feliz por ter a chance de tentar uma vaga numa gigante da tecnologia como a Salvattore...
— Isabel, me escute bem...
Iterrompeu Juliana, a voz firme e carinhosa.
— Você não precisa me agradecer de nada. Você merece isso! Sempre foi a aluna mais brilhante e esforçada da nossa turma na faculdade. Você nasceu para brilhar. Ah, e prepare o coração: o próprio Henry Salvattore faz questão de conversar com você. Ele vai te atender pessoalmente amanhã.
Um sorriso feliz e esperançoso ao mesmo tempo surgiu nos lábios de Isabel. Ela se sentou na beirada da cama estreita do quarto alugado e suspirou fundo.
— Eu te amo amiga!

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