A voz firme e carinhosa de Giovanni ecoou do corredor. Ele apareceu logo atrás da esposa, ajustando os óculos e sorrindo com nostalgia.
— Seja muito bem-vinda, Isabel. Ficamos imensamente felizes em saber do seu regresso a Milão. Entrem, entrem!
Isabel sorriu, sentindo um nó na garganta diante de tanta acolhida.
— Muito obrigada pela hospitalidade, Senhor e Senhora Rossi.
— Ah, nada de formalidades! Não precisa agradecer nada, Isabel
Retrucou Domenica, acenando com a mão enquanto as guiava para a sala de jantar.
— Nós te conhecemos desde que você era desse tamanhinho. Você e a Juliana me deixavam louca! Corriam por essa casa toda e viviam quebrando minhas porcelanas.
Juliana soltou uma gargalhada gostosa, lembrando-se das travessuras.
— É a pura verdade, mamãe! A gente dava trabalho mesmo... Mas e o Bruno? Onde está meu irmão?
— Foi acampar com a família de um colega da escola.
Giovanni respondeu, servindo os copos.
— Só volta daqui a dois dias. A casa está até quieta demais sem ele.
O jantar fluiu como uma brisa quente num dia frio, repleto de gargalhadas, memórias e boa comida. Contudo, o clima mudou ligeiramente quando a conversa enveredou pelos cinco anos em que Isabel viveu em Madrid. Com a voz pausada e o olhar marejado, Isabel abriu o coração e relatou os bastidores dolorosos do seu recente divórcio.
Domenica levou a mão ao peito, chocada.
— Meu Deus... Então ele te traiu da pior forma possível, Isabel? Eu sinto tanto, minha querida. Você não merecia passar por isso, é uma menina tão doce e boa...
— Infelizmente, senhora Rossi, isso acontece muito mais do que imaginamos.
Respondeu Isabel, dando um sorriso fraco e resignado.
Giovanni franziu o cenho, indignado.
— E os seus pais, Isabel? Como reagiram a tudo isso?
Isabel baixou os olhos por um segundo, brincando com o garfo no prato antes de responder com a voz firme, embora carregada de mágoa:
— Me culparam. Eles acham que fui eu quem não teve maturidade suficiente para 'segurar' um casamento.
— Amiga, o quê?! Que absurdo!
Juliana disparou, indignada, ajeitando-se na cadeira.
— Como assim?! Então você não está morando com eles?
— É absolutamente impossível morar sob o mesmo teto que meu pai e minha mãe, Ju.
Desabafou Isabel, soltando um suspiro pesado.


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