O velho Donato estreitou os olhos, desconfiado:
— Aquele moleque infeliz... Só espero que essa tal surpresa seja a namorada que ele prometeu. Dei um mês de prazo e já se passou uma semana inteira! Se ele não me aparecer aqui com uma moça de família respeitável até o fim do mês, arrasto ele pelo pé até o altar para se casar com a senhorita Mitchell, nem que seja de camisola!
Exatamente cinco minutos depois, os passos ecoaram pelo hall de entrada. Valério Moretti adentrou o salão imponente com a postura triunfante de quem havia vencido uma guerra. Ao seu lado, exibindo um sorriso impecável e nada modesto, estava Vittória Mancini.
A cena provocou um silêncio sepulcral. Queixos caíram em sincronia. Apenas Nicola manteve a compostura, segurando a risada por já conhecer as peripécias do primo.
Elisabetta quase engasgou com a própria saliva ao ver a cena:
— Valério Moretti! O que a Vittória Mancini está fazendo aqui ao seu lado?! Desde quando vocês dois conseguem respirar o mesmo ar sem trocar farpas ou arremessar louça? Vocês não duram dez minutos numa mesma sala sem declarar guerra civil! O que está acontecendo aqui?
Donato ergueu a mão, gesticulando com a autoridade de quem exige ordem na casa:
— Elisabetta, contenha-se. Não seja inconveniente com a nossa convidada... Você é muito bem-vinda, Vittória, minha querida. Mas admito que a sua presença ao lado do meu neto é um enigma. Valério garantiu que nos apresentaria a futura namorada, e trouxe você.
Antes que Vittória pudesse abrir a boca para disparar qualquer ironia, Valério deu um passo à frente e tomou a palavra com um ar dramático:
— Vovô, mamãe... calma. Eu explico tudo. A Vittória é a minha convidada de honra esta noite. Ela é a mulher de quem lhes falei. É a moça com quem pretendo construir um futuro glorioso.
Um murmúrio de choque percorreu a mesa. Vittória, sem perder a classe nem a oportunidade de manter a rédea curta, deu um passo à frente e ajustou o tom:


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