— Calma, meu amor!
Murmurou ele, a voz aveludada tentando dissipar a tempestade.
— Faltam apenas seis meses para esse contrato miserável acabar. Quando o prazo expirar, o teatro termina. Não vai ser a Juliana ao meu lado. Vai ser você. É você quem vai jantar na mesa dos Moretti, quem vai me acompanhar nos bailes de gala e nos eventos sociais. Não se torture. Ninguém vai ocupar o seu lugar.
Ele a abraçou, mas, por cima do ombro de Caterina, os olhos de Nicola encaravam o vazio, presos à imagem de uma mulher que parecia cada vez mais distante do seu alcance: Juliana.
Caterina deu dois passos lentos em direção a Nicola, encurtando a distância entre eles com uma graciosidade calculada. Envolveu-o em um abraço demorado, afundando o rosto no peito dele. Quando falou, sua voz saiu manhosa, quase um sussurro arrastado carregado de uma fragilidade fingida:
— Eu não vejo a hora desse acordo absurdo finalmente acabar... Eu quero você só para mim, Nicola. Inteiramente meu.
Por trás do olhar doce e encostado no ombro dele, a mente de Caterina fervia em veneno:
“Não vejo a hora de assistir àquela Juliana levar um pé na bunda e ser varrida de uma vez por todas até daquela empresa. É exatamente isso o que vou fazer no segundo em que me tornar, oficialmente, a futura senhora Moretti.”
Nicola, no entanto, segurou-a suavemente pelos ombros e a afastou o suficiente para encará-la. Seus olhos sustentaram os dela com uma gravidade solene:
— Meu amor, me escute. Só te peço mais um pouco de paciência.

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