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O Amor Me Cegou, Eu Me Iluminei romance Capítulo 614

O olhar de José Vieira tornou-se ainda mais sombrio e predatório.

Ele se moveu levemente na cadeira de madeira.

As cinzas do cigarro em seus dedos caíram ruidosamente no chão sujo.

Elas formaram pequenos pontos brancos ao colidir contra a poeira espessa.

No entanto, José Vieira não pronunciou uma única palavra em resposta.

Em vez disso, ele levou o cigarro aos lábios com uma lentidão calculada.

Ele tragou profundamente o tabaco.

Ao exalar, a fumaça densa atingiu em cheio o topo da cabeça do homem ajoelhado.

Os ombros do homem encolheram violentamente em um reflexo imediato.

Parecia que ele havia se engasgado com o cheiro forte do tabaco, ou talvez fosse uma pura demonstração de terror paralisante.

Seu pomo de adão subiu e desceu algumas vezes engolindo em seco.

Mas ele não teve coragem de dizer mais nenhuma palavra.

O homem encarava José Vieira com uma cautela extrema e desesperada.

Ele percebeu que o olhar impiedoso do jovem mestre estava fixo em suas mãos cerradas.

Aquelas mãos, que antes seguravam bisturis com maestria cirúrgica, agora tinham os nós dos dedos completamente brancos de tensão.

As palmas estavam manchadas com o que poderia ser seu próprio sangue misturado com a sujeira do chão abandonado.

As pontas de seus dedos tremiam incontrolavelmente em espasmos de pânico.

Após um longo e agonizante silêncio, José Vieira finalmente abriu a boca.

— Dr. Santos, você tem sido o médico particular da família Vieira há dez anos, não é? — A voz dele não era alta, mas possuía um poder de perfuração aterrorizante que abafava o som do vento uivando lá fora.

O homem abaixou a cabeça ainda mais em submissão.

Seu corpo tremia violentamente da cabeça aos pés.

Os olhos arregalados por trás das lentes rachadas estavam cheios de pânico.

Aquele era um medo visceral que ele nutria por José Vieira no fundo de sua alma imunda.

— Sim, já faz dez anos. — Confirmou o médico com a voz trêmula e fraca.

José Vieira olhou para ele com extremo desdém e indiferença gélida.

— Dez anos. — Repetiu ele friamente, saboreando a amargura da palavra. — Até mesmo um cachorro que se cria por dez anos aprende a ser leal ao dono.

Dr. Santos abriu a boca em uma tentativa patética de se defender.

— Jovem Mestre, eu não sei o que o senhor quer dizer com isso... — Gaguejou ele em pânico.

O cigarro em sua mão havia queimado mais um pouco.

José Vieira jogou a ponta do cigarro aos próprios pés de maneira displicente.

No instante em que as faíscas espirraram no chão, ele o esmagou e apagou rapidamente com a sola grossa do sapato.

De repente, José Vieira se levantou da cadeira.

A cadeira de madeira foi arrastada, produzindo um som estridente e agudo contra o piso áspero.

Aquele ruído repentino fez Dr. Santos estremecer violentamente.

Ele quase desabou completamente no chão de puro pavor.

José Vieira havia perdido toda a sua paciência restrita.

Ele caminhou a passos lentos até parar bem na frente de Dr. Santos.

Ele olhou para o homem de cima para baixo como se olhasse para um inseto repugnante.

As unhas sujas cravaram-se profundamente na carne de suas palmas.

Ele nem sequer percebeu que sua pele estava sangrando de novo.

Ele ergueu a cabeça para encarar seu algoz.

Os olhos por trás das lentes estilhaçadas transbordavam terror absoluto e rendição.

Os lábios dele tremiam sem parar, ensaiando palavras não ditas.

Ele demorou a conseguir formular uma única frase completa em meio ao choro.

— Jovem Mestre, foi Saulo Vieira quem me forçou a fazer isso, ele usou a minha família inteira para me ameaçar. — Confessou ele em prantos de desespero. — Se eu não fizesse exatamente o que ele mandou, ele usaria os meus entes queridos como alvo de retaliação, eu realmente não tinha outra saída na época.

Dr. Santos começou a chorar copiosamente de pavor.

De fato, ele havia sido ameaçado naquela época obscura.

Mas ele também acreditava firmemente que José Vieira estava morto e enterrado.

Ele achou que Saulo Vieira se tornaria o líder supremo e incontestável da família Vieira.

Foi exatamente por isso que ele decidiu arriscar tudo e se aliar à sujeira de Saulo Vieira.

Se ele soubesse que José Vieira ainda estava vivo e retornaria para cobrar a dívida, não teria ousado traí-lo nem sob ameaça de morte.

José Vieira deu um passo ameaçador para a frente.

A ponta de seu sapato impecável tocou de leve o joelho machucado do homem ajoelhado.

— Seja mais específico e detalhista. — Ordenou ele friamente. — Desde quando isso começou e o que exatamente Saulo Vieira ordenou que você fizesse? Conte tudo com os mínimos detalhes, do início ao fim, sem omitir uma única palavra sequer.

Ele fez uma pausa letal antes de dar o ultimato final.

— Se eu descobrir que você escondeu qualquer coisa de mim, eu garanto que farei você implorar pela morte. — Concluiu ele impiedosamente.

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