José Vieira limitou-se a concordar com um aceno, acompanhando com o olhar a silhueta de Amanda Soares até que ela desaparecesse completamente de vista.
Foi naquele exato momento que José Vieira sentiu um imenso vazio apoderar-se do seu peito.
Muito tempo depois, ele se virou lentamente e caminhou pelo saguão do aeroporto, arrastando seus passos como se pesassem toneladas.
O céu lá fora começava a clarear com o amanhecer, mas nenhuma daquelas luzes era capaz de iluminar a sombra em seu coração.
José Vieira retornou ao apartamento cerca de quarenta minutos depois.
Ao abrir a porta, foi recebido por um silêncio absoluto e esmagador.
O ambiente parecia ainda mais solitário, em especial considerando que, algumas horas atrás, ele e Amanda Soares estavam dividindo uma refeição ali mesmo.
Ele caminhou até o assento onde Amanda Soares estivera e acariciou suavemente o tecido do sofá, quase como se pudesse sentir o calor deixado pelo corpo dela.
Com um longo suspiro, José Vieira sentou-se, pegou o celular e passou os olhos pelo histórico de conversas com a esposa.
Aquelas mensagens repletas de carinho eram agora o seu único conforto.
Ele não conseguiu resistir ao impulso de enviar uma nova mensagem.
— Amor, avise-me assim que pousar em Cidade G. — Escreveu.
Simultaneamente, Amanda Soares estava sentada na sala de embarque.
Ao ler a mensagem de José Vieira, ela foi tomada por um sentimento indescritível.
Em suma, era uma angústia terrível.
Amanda Soares fixou o olhar no céu azul e nas nuvens brancas pela janela, mas a sua mente estava inteiramente ocupada por pensamentos sobre o marido.
Enquanto isso, na mansão da família Vieira.
O dia mal havia amanhecido e a propriedade já recebia um grupo inesperado de visitantes.
Um dos empregados foi abrir o portão com uma postura arrogante.
— Que horas são para vocês estarem batendo... — Reclamou ele.
Antes que o empregado pudesse terminar o insulto, o líder do grupo exibiu um distintivo.
— O Sr. Saulo Vieira é suspeito de cárcere privado. — Declarou o policial. — Nós precisamos levá-lo para um interrogatório.
O funcionário congelou, perdendo a coragem de dizer qualquer outra coisa.
— Em qual quarto o Sr. Saulo Vieira está? — Exigiu o líder da operação.
— Ele... ele está no terceiro quarto à direita. — Gaguejou o empregado.

O oficial soltou uma risada sarcástica.

O rosto de Januario Pereira escureceu, adotando uma palidez doentia.
Oliver Dourado estava sob investigação?
E ele sequer fora avisado.
O que diabos estava acontecendo?

Januario Pereira detinha um grande poder em Cidade Capital, mas diante da atitude daquelas autoridades, ele concluiu que seria imprudente resistir.
Tudo aquilo estava soando bizarro demais... a não ser que...
Um estalo súbito iluminou a mente de Januario Pereira, e ele olhou para fora do quarto.
— Mordomo Domingos! — Berrou ele para o criado. — Descubra o paradeiro de José Vieira imediatamente! Onde ele está?!

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