José Vieira confirmou com a cabeça e, sentindo o clima pesar, tentou suavizar a situação.
— Fique tranquila, nada de ruim vai acontecer. — Garantiu ele. — Eu já organizei tudo.
Ele dizia aquilo com confiança, mas Januario Pereira era, sem sombra de dúvidas, um verdadeiro maníaco.
E se ele fosse encurralado e decidisse agir por desespero?
Já passava da meia-noite quando terminaram de comer.
José Vieira prontificou-se a lavar a louça e, quando Amanda Soares tentou ajudar, ele a fez sentar no sofá.
— Descanse, eu cuido disso. — Insistiu ele.
Ele levou os pratos para a cozinha.
Assim que abriu a torneira, ouviu os passos de Amanda Soares se aproximando.
— Eu não vou fazer nada, só quero ficar perto de você. — Anunciou ela.
José Vieira piscou, surpreso, mas abriu um sorriso.
— Tudo bem. — Concordou ele.
Em breve, Amanda Soares teria que partir para o aeroporto, o que significava que o tempo deles estava se esgotando.
Talvez fosse essa a essência de uma cumplicidade silenciosa.
Amanda Soares permaneceu a poucos passos de distância, com um sorriso nos lábios enquanto observava as costas do marido atarefado.
Tudo seguiu pacífico até José Vieira sair da cozinha e receber uma ligação que o obrigou a ir para o escritório.
Amanda Soares, por sua vez, pegou o controle remoto, ligou a televisão e sintonizou no canal de economia favorito dele.
Em seguida, foi até a varanda e recolheu a camisa que estava secando.
Ela se sentou no sofá, pegou o ferro de passar ao lado e começou a alisar a camisa vagarosamente, embalada pela voz do apresentador na televisão.
— As ações do Grupo Vieira continuaram a cair hoje, e as dúvidas em relação à competência do novo presidente, Saulo Vieira, não param de crescer... — Dizia o noticiário.
Amanda Soares refletiu que Januario Pereira até possuía alguma capacidade, mas era precipitado demais.
Seu sucesso no passado só fora possível através de meios ilícitos.
Verdade seja dita, ele e José Vieira não estavam nem no mesmo patamar.
Se o Grupo Vieira continuasse nas mãos dele, a falência seria apenas uma questão de tempo.

Era uma sensação maravilhosa.
Pois aquela tranquilidade era um presente da mulher que ele amava.
Embora tivesse dormido apenas meia hora, aquele foi o sono mais profundo que Amanda Soares tivera em dias.
José Vieira a levou para o aeroporto antes mesmo de o dia raiar.

Ele deu uma série de instruções repetidas.

Amanda Soares soltou uma risada frouxa.
— Já é a terceira vez que você me diz isso. — Brincou ela. — Fique tranquilo, eu não sou mais criança.
Dito isso, ela soltou a mão de José Vieira.
— Tudo bem, eu preciso ir para a segurança. — Despediu-se.

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