Naquela madrugada fria, o coração de José Vieira estava repleto de calor.
— A comida da minha esposa é, naturalmente, deliciosa. — Elogiou ele.
Entre uma palavra e outra, José Vieira tomou mais alguns goles do caldo, sujando o canto da boca sem perceber.
Amanda Soares estava sentada à sua frente, apoiando o queixo nas mãos enquanto o observava com um olhar sorridente.
Ela esticou o braço e limpou a mancha no rosto dele com a ponta dos dedos.
— Onde está a sua elegância, Sr. Vieira? — Provocou ela.
— Está com vergonha de mim? — Brincou José Vieira.
Amanda Soares assentiu, entrando na brincadeira. — Sabe que sim? Só um pouquinho.
José Vieira não se ofendeu com a provocação, pelo contrário, seu sorriso apenas se alargou.
Os dois conversaram por um longo tempo até que Amanda Soares percebeu que mal havia tocado em sua própria tigela, pois estivera ocupada demais admirando José Vieira.
A beleza dele era uma verdadeira distração!
Com isso em mente, ela pegou o maior pedaço de carne e colocou no prato dele.
— Você não deve ter comido direito nesses últimos dias. — Disse ela. — Essa costela tem bastante carne, coma mais um pouco.
José Vieira ergueu o olhar para Amanda Soares.
Sob a luz ambiente, o perfil dela parecia uma pintura delicada.
Seus cílios longos projetavam sombras suaves sob as pálpebras.
— Como você veio parar em Cidade Capital? — Perguntou José Vieira de supetão. — Como está a recuperação da sua mãe?
Eles já estavam juntos há um bom tempo, mas a emoção do reencontro o fizera esquecer de perguntar.
Susana Santos havia acabado de passar por uma cirurgia e necessitava de cuidados constantes.
Por que Amanda Soares viajaria para Cidade Capital justo agora?
Amanda Soares ergueu os olhos e, notando a confusão dele, tratou de explicar.
— A mamãe está se recuperando muito bem. — Relatou ela. — Eu vim direto do hospital e peguei o voo no fim da tarde. Daqui a duas horas, estarei embarcando de volta para Cidade G.
Tão rápido assim?
O peito de José Vieira doeu de pena.
Ela com certeza se submetera a toda aquela correria porque estava preocupada com ele.
O rosto de José Vieira empalideceu levemente, seus olhos transbordando angústia.
— Me perdoe, meu amor. — Lamentou ele. — Eu não posso estar ao seu lado e ainda te dou motivos para se preocupar. Eu sou um péssimo marido.


José Vieira a encarou, sem saber o que responder.
Após um longo silêncio sob o olhar fixo de Amanda Soares, ele respirou fundo.
— Meu amor, eu só não queria que você ficasse preocupada. — Admitiu ele.
Amanda Soares sentiu um nó na garganta, misturado a uma leve vontade de rir.
— Mas eu sou a sua esposa. — Declarou ela.
Em seguida, ela mudou de assunto e adotou uma postura mais focada.
— Qual é a situação atual do seu pai? — Indagou.
José Vieira apertou a mão dela e, mais uma vez, o calor daquela pele o acalmou profundamente.

Após ouvir tudo, Amanda Soares permaneceu em silêncio por um longo tempo.
Até que finalmente quebrou a quietude.
— Você vai levar os seus homens para a mansão amanhã? — Perguntou ela.

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