— Ela disse que uma mulher como eu jamais entraria pela porta da frente da família Domingos.
— Disse que sou manipuladora e que conquistei você com um simples prato de sopa.
— Falou que eu sou apenas uma novidade passageira para você.
— Disse que, quando você se cansar, vai me chutar para longe.
— Eu não aguentei ouvir aquilo calada e retruquei.
— Eu disse que ela também é uma mulher divorciada e que deveria ser mais gentil comigo.
— Então ela ficou furiosa e me deu um tapa na cara.
— Ela disse que estava me ensinando uma lição em seu lugar.
— E ainda disse que, mesmo que eu reclamasse com você, você ficaria do lado dela. — Disse Molly.
Quanto mais Molly Gaspar falava, mais injustiçada parecia e mais lágrimas derramava.
Miguel Domingos ficou momentaneamente sem saber o que fazer.
— Foi mesmo a Amanda quem te bateu? — Perguntou Miguel Domingos.
— Você acha que eu estou mentindo? — Choramingou Molly Gaspar.
A prova estava ali, diante dos olhos dele, e ele ainda duvidava.
Parecia que aquelas duas mulheres tinham um peso enorme no coração dele.
Molly Gaspar decidiu recuar para avançar e baixou o olhar.
— Esqueça. A Amanda é sua amiga de infância, é compreensível que você não acredite. — Disse ela.
— Além disso, eu não quero te colocar em uma posição difícil.
— Dr. Domingos, deixe para lá. Vamos considerar que esse assunto acabou.
— Não preciso que você me defenda, nem que vá tirar satisfações com a Amanda.
— Eu não quero causar problemas.
Molly Gaspar enxugou as lágrimas e forçou um sorriso triste.
— Eu já estou muito satisfeita por ter te encontrado nesta vida.
— Não importa se vamos ficar juntos para sempre, mas este momento é o mais feliz que já tive.
— Dr. Domingos, eu te amo. Eu te amo muito. — Declarou ela.
Uma mulher chorando e, ainda assim, forçando um sorriso.
Era preciso admitir, aquele golpe de Molly Gaspar realmente atingiu o ponto fraco de Miguel Domingos.
Molly Gaspar esticou o pescoço e viu no visor: "Aurazul S.A. diretor Viana".
Ela pegou o celular e atendeu.
Antes que pudesse falar, ouviu a voz urgente de um homem do outro lado.
— Dr. Domingos, temos um problema sério. Alguém processou nossa empresa, o senhor precisa vir aqui agora. — Disse a voz.
Era realmente trabalho.
Parecia que ela tinha pensado demais.
— Diretor Viana, o Dr. Domingos está no banho. — Disse Molly Gaspar, com voz de esposa dedicada. — Vou pedir para ele retornar assim que sair.
— Ah, é a assistente Gaspar. — Disse o diretor Viana. — Isso é uma emergência absoluta. Por favor, apresse o Dr. Domingos.
— Pode deixar, vou avisá-lo imediatamente. — Respondeu ela.
— Agradeço muito, assistente Gaspar. — Disse ele.
Menos de um minuto após desligar o telefone, Miguel Domingos saiu do banho enrolado na toalha, com o cabelo ainda pingando água.
Molly Gaspar correu até ele e lhe entregou o celular.
— O diretor Viana da Aurazul S.A. ligou. Aconteceu algo na empresa e ele precisa que você vá lá. Parece bem urgente. — Disse ela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Amor Me Cegou, Eu Me Iluminei