Ao ver isso, Jobson Andrade tentou pegar a bagagem de volta:
— Quanta gentileza, eu mesmo posso levar as malas...
Vicente Freitas não permitiu, empurrando o carrinho de bagagem à frente enquanto guiava o caminho e respondia:
— Não se preocupe.
O motorista de Vicente, muito perspicaz, aproximou-se imediatamente para ajudar a colocar as malas no carro. Maia, segurando a mão da mãe, disse com sua voz doce:
— Vovô, vovó, somos todos de casa, não precisam de tanta cerimônia!
Os avós não pensaram muito sobre a expressão "de casa", apenas sorriram e pegaram a neta no colo:
— Ai, nossa querida Maia cresceu bastante, hein? Estava com saudade do vovô e da vovó?
A pequena assentiu, dizendo alegremente:
— Muita!
Ouvindo a conversa, Vicente virou-se para Maia e disse:
— Então a Maia vai no mesmo carro que o vovô e a vovó?
Maia balançou a cabeça obedientemente:
— Tá bom!
Lília Andrade também disse aos pais:
— Pai, mãe, já está tarde. Vamos levá-los para jantar primeiro. Já reservamos o restaurante. Depois de comer, voltamos para descansar, pode ser?
— Claro, você decide.
O casal não teve objeções. Logo, entraram nos carros e seguiram para o restaurante. Quarenta minutos depois, na sala privativa do restaurante, os pratos já estavam servidos.
Vicente Freitas, geralmente reservado, naquela noite tomou a iniciativa de servir Jobson Andrade e sua esposa:
— Por favor, não façam cerimônia, comam à vontade. Este restaurante serve a autêntica culinária local da Capital.
O sorriso no rosto de Jobson Andrade não diminuiu um instante sequer, e ele insistia em servir Vicente também:
Vicente também percebeu a tensão velada à mesa. Como se já esperasse por isso, não se apressou em explicar. Em vez disso, calmamente segurou a mão de Lília por baixo da mesa. A palma da mão do homem era quente, e a ansiedade de Lília se acalmou instantaneamente. A única que comia despreocupadamente era Maia.
Ao final do jantar, Vicente os levou para casa. Antes de ir embora, ele disse a Jobson Andrade e sua esposa:
— Os senhores devem estar cansados hoje. Descansem bem. Outra hora venho visitá-los com calma.
O casal ainda estava atordoado. Mas, diante de Vicente, que tanto os ajudara, não conseguiram ser frios. Maria Lacerda respondeu com o tom gentil de sempre:
— Está bem, cuidado no caminho.
— Sim.
Vicente assentiu e sinalizou para os seguranças levarem as malas para dentro. Ele não demorou e logo foi embora. Depois que ele partiu, Lília levou os pais para dentro de casa. Ao entrarem, o casal foi pegar as malas e descobriu que, quando os homens de Vicente trouxeram a bagagem, haviam colocado algo a mais. Havia muitos presentes caros ali dentro.
Lília também viu. Ela ficou surpresa. Não sabia quando ele havia preparado aquilo. Jobson Andrade e Maria Lacerda logo desviaram o olhar e, fingindo normalidade, chamaram a Dona Amanda para dar banho em Maia. Na sala de estar, logo restaram apenas Lília e seus pais. Ela sentiu o nervosismo aumentar involuntariamente.
Jobson Andrade suspirou e tomou a iniciativa de falar:
— Lília, sente-se. Vamos conversar.

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