Lília Andrade sabia que aquela conversa entre eles, cedo ou tarde, aconteceria.
Embora estivesse nervosa, esforçou-se para manter a serenidade. Serviu um copo d'água para os pais e sentou-se no sofá ao lado deles.
Maria Lacerda não fez rodeios. Foi direta ao ponto e perguntou:
— Qual é a situação entre você e o Dr. Freitas?
Lília Andrade não pretendia esconder nada. Vendo que a mãe tomara a iniciativa de perguntar, respondeu com sinceridade:
— Nós estamos namorando.
Recebendo a resposta que já esperavam, Maria Lacerda e o marido trocaram um olhar significativo. O casal franziu a testa em uníssono.
Jobson Andrade questionou:
— Quando isso começou? Foi ainda na Cidade R?
Lília Andrade balançou a cabeça e explicou:
— Não, só oficializamos depois que vim para a Cidade Capital.
Jobson Andrade e a esposa caíram em um silêncio repentino.
Diante da quietude deles, Lília Andrade não pôde evitar a ansiedade. Perguntou, cautelosa:
— O pai e a mãe não gostam dele?
Antes que eles pudessem responder, ela se adiantou:
— Ele é uma pessoa maravilhosa, me trata muito bem e, acima de tudo, considera a Maia como se fosse sua própria filha. Se a Maia está bem hoje, é tudo graças a ele. Ele nunca a destratou por não ser sangue do seu sangue; pelo contrário, sempre foi muito paciente e a educou como um pai verdadeiro!
Ao dizer essas palavras, a expressão de Lília Andrade era de uma seriedade inabalável.
Maria Lacerda percebeu isso. Ela não conhecia Vicente Freitas profundamente, mas conhecia bem a índole da própria filha. Por isso, suspirou e disse:
— Eu sei que ele é bom, minha filha. Nós não temos nada contra ele. A questão é... Lília, é justamente por ele ser bom demais! O Sr. Freitas vem de uma família da alta sociedade da Cidade Capital. Uma família desse porte nos assusta...
Maria Lacerda suspirou, preocupada:
— Lília, eu e seu pai só temos você. Nós te mimamos e cuidamos de você a vida inteira, sem exigir nada, apenas desejando que fosse segura, alegre e feliz. Você já foi massacrada pela família Silva uma vez. Você sabe o quanto doeu em mim e no seu pai naqueles anos? Mas nós não tínhamos o que fazer. Sentimo-nos inúteis por não poder te dar um berço de ouro, vendo você ser intimidada sem poder agir. As águas da Cidade Capital são ainda mais profundas que as da Cidade R, e nossa impotência aqui é ainda maior. Por isso... a mamãe realmente espera que você considere isso com muito cuidado, está bem?
Ao terminar, Maria Lacerda não conteve as lágrimas. Jobson Andrade, embora calado, também tinha os olhos vermelhos.
Lília Andrade sentiu um aperto no coração e um gosto amargo na boca, mas o sentimento mais forte era a culpa. Já era adulta e ainda fazia os pais se preocuparem tanto. Sentia-se uma filha ingrata.
Com os olhos também marejados, Lília abraçou a mãe e, tentando controlar a emoção, consolou-os:
— Pai, mãe, não fiquem tristes. Eu vou pensar com muito carinho no que vocês disseram. Eu sei que se preocupam comigo, mas estar com Vicente Freitas não é um impulso, nem estou buscando consolo para as feridas do passado. Na verdade, eu pensei nessas questões muito mais do que vocês imaginam. Eu também quis recusá-lo, também tive medo de dar esse passo. Mas o Vicente Freitas me deu segurança. Ele é diferente do Ronaldo Silva! Claro, sei que o que eu disser agora pode não convencer vocês. Mas, pai, mãe, por favor, me deem uma chance. Observem primeiro como o Vicente age, pode ser?
Ela sabia que não conseguiria fazer os pais aceitarem Vicente imediatamente. Só podia tentar persuadi-los de forma gradual:
— Se ele não agir corretamente, se me decepcionar, eu termino tudo antes que seja tarde. Desta vez, não vou me perder, nem vou abandonar tudo por causa de um sentimento!
O tom e a expressão de Lília Andrade transmitiam seriedade e determinação. Maria Lacerda e o marido olharam para ela; no fundo, ainda relutantes.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nunca Mais — O Amor Que Você Desperdiçou