A chamada foi atendida rapidamente pela mãe.
— Lília, está ocupada?
A voz de Maria Lacerda soava gentil e preocupada como sempre.
— Não...
Lília hesitou por dois segundos, mas decidiu perguntar:
— Mãe, você e o pai estão vindo para a Capital porque souberam do que aconteceu comigo?
Maria Lacerda não negou, suspirou e disse:
— Acabamos de saber. Aconteceu algo tão grave e você nem nos contou. Lília, não tenha medo, seu pai e eu estamos indo para ficar com você. Nós acreditamos que você não fez nada de errado!
Ao ouvir a preocupação e o apoio da mãe, Lília sentiu o coração aquecido, mas tentou tranquilizá-la:
— Na verdade, estou bem. O instituto vai investigar tudo. Em alguns dias, voltarei ao trabalho. Não precisam se incomodar. Vir da Cidade R para a Capital de avião é cansativo, não quero que vocês se desgastem.
Maria Lacerda retrucou:
— Que cansaço o quê? Eu e seu pai já planejávamos visitar você e a Maia em breve. Desde que vocês foram para a Capital, ainda não fomos visitá-las. O momento é oportuno. Além disso, já compramos as passagens. O voo sai em duas horas e chegaremos às sete da noite. Esperem por nós!
Lília achou graça da determinação da mãe:
— Vocês são rápidos demais, hein?
Faziam apenas algumas horas que tudo acontecera. No entanto, ela realmente não via os pais há algum tempo e sentia saudades. Além disso, ela ainda não havia contado a eles sobre seu relacionamento com Vicente Freitas. Talvez pudesse aproveitar a oportunidade para sondar a opinião deles...
Assim, Lília não tentou mais impedi-los, apenas recomendou com cuidado:
— Então tenham cuidado no caminho. Vou buscar vocês à noite.
— Certo, não vou falar mais agora, ainda estou arrumando as malas.
Maria Lacerda conversou mais um pouco com a filha e desligou. Lília guardou o celular e preparou-se para voltar ao escritório. Mas, ao se virar, chocou-se contra um peito largo. Assustada, inclinou o corpo para trás instintivamente.
— Cuidado.
Vicente segurou-a levemente pela cintura e perguntou em voz baixa:
— Quem você vai buscar no aeroporto hoje à noite?
Ao ver que era ele, o coração de Lília se acalmou. Ela olhou para ele surpresa e perguntou:
— Já terminou?
— Sim.
Vicente assentiu e disse com preocupação:
— Vi você saindo com pressa, achei que tivesse acontecido alguma coisa.
Lília sentiu-se um pouco sem graça e decidiu contar a verdade:
— De qualquer forma, sou o anfitrião. Se os mais velhos vêm visitar, seria indelicado da minha parte ignorar. Dê-me uma chance de mostrar serviço, Lília, para que seus pais gostem ainda mais de mim, hum?
Ele baixou a cabeça, encostando a testa carinhosamente na dela. Lília não conteve o riso e disse:
— Você não precisa mostrar serviço, eles já gostam muito de você! Na Cidade R, eles não paravam de te elogiar, lembra?
Vicente ponderou:
— Naquela época, eu era o psicólogo da Maia. Agora sou o homem que roubou a filha preciosa deles, então não é garantido.
Lília balançou a cabeça e disse:
— Meus pais não ligam para condições externas quando gostam de alguém, eles olham o caráter. Além disso, você é tão bom, não tem defeitos, que motivo teriam para não gostar?
E os fatos se desenrolaram como Lília imaginava. À noite, depois de buscarem Maia, foram direto para o aeroporto. O voo de Jobson Andrade e Maria Lacerda pousou no horário. Quando o casal saiu, viu imediatamente a filha, a neta e, ao lado delas, Vicente Freitas com sua elegância inconfundível. Embora um pouco surpresos, os dois demonstraram entusiasmo.
Maria Lacerda tomou a iniciativa de cumprimentá-lo:
— Dr. Freitas, você também veio? Como poderíamos incomodá-lo para vir pessoalmente nos buscar?
Em seguida, olhou para Lília com uma falsa repreensão:
— Menina, você é muito folgada. O Dr. Freitas já cuida tanto de vocês aqui na Capital, como pode incomodá-lo com uma coisa pequena dessas?
Antes que Lília pudesse responder, Vicente já havia se adiantado, pegando as malas deles, e respondeu com naturalidade:
— Não é incômodo nenhum. É raro os senhores virem para cá. Como anfitrião e amigo da família, é meu dever vir recebê-los pessoalmente.

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