Roberto Lacerda também não expressou qualquer opinião. Virou-se e levou Maia em direção à parte de trás, entregando-a a Maria Lacerda e Jobson Andrade, que os seguiam.
Ao receber a criança, o casal Maria Lacerda também ficou um tanto surpreso.
Ainda era cedo, Ronaldo Silva estava disposto a liberar a criança tão rápido?
Embora tivessem dúvidas em seus corações, os dois não disseram nada.
Como eles mesmos já não gostavam de Ronaldo Silva, era excelente que a sua preciosa neta não precisasse mais passar tempo com ele naquele momento.
Eles também haviam prestado atenção em quais atrações Maia já tinha ido brincar, então, vendo que ainda era cedo, continuaram a levá-la para se divertir.
As emoções de Maia continuavam iguais as de sempre, com um sorriso alegre no rosto, parecendo não ter sido afetada por Ronaldo Silva.
À noite, Lília Andrade chegou em casa mais cedo, algo raro de acontecer.
Logo que entrou, viu que seus pais e Maia já haviam retornado. Naquele momento, os dois idosos estavam dando frutas para a criança.
Lília Andrade havia escutado a voz furiosa de Valéria Barbosa ao meio-dia e, achando que a mulher iria maltratar Maia, estivera prestes a correr para lá sem se importar com nada.
Porém, antes de sair, ouvira a defesa de sua preciosa filha e, só então, interrompeu os passos, sentindo um gosto amargo e os olhos arderem de vontade de chorar.
Acontece que sua preciosa Maia já havia melhorado tanto.
Mesmo sem a mãe ao seu lado, ela conseguia defendê-la e também a si mesma.
Foi exatamente por causa daquelas palavras de Maia que Lília Andrade se acalmou e não foi buscar a criança.
Ainda assim, não estava totalmente tranquila e ligou para os pais, orientando que, se o pessoal da família Silva continuasse a criar problemas, que eles trouxessem Maia direto para casa.
Felizmente, não muito tempo depois, seus pais enviaram uma mensagem avisando que Valéria Barbosa e Cesar Silva já haviam ido embora...
Agora, ao entrar e vê-los, Lília Andrade perguntou de passagem:
— Como a Maia voltou tão cedo hoje?
Maria Lacerda explicou:
— O seu pai e eu também achamos um pouco estranho. Havia muita gente no parque de diversões na hora, então não ficamos tão perto, só soubemos que houve um pequeno conflito por lá.
Uma pessoa como ele não responsabilizando o outro?
Deixou a pessoa ir com um simples pedido de desculpas, desde quando ele havia se tornado tão flexível?
Mas Lília Andrade não expressou essas dúvidas em voz alta.
Quando Maia já estava imersa no seu mundo de desenhos, Lília Andrade e Vicente Freitas foram para a varanda. Só então ela o questionou:
— Por que você perguntou aquelas coisas para a Maia?
Vicente Freitas deu um leve sorriso e disse lentamente:
— Eu acho que o meu objetivo já foi alcançado.
— Hã? — Lília Andrade ficou com o rosto cheio de confusão. — Que objetivo?
Vicente Freitas falou com um tom sorridente:
— Fazer com que algumas pessoas percebam sua própria miséria, reconheçam os próprios problemas e, então, recuem ao ver a dificuldade.

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