Olhando para seu rosto adormecido, a mente dele começou a vagar por momentos longínquos.
Quanto tempo havia desde a última vez que ficaram sob o mesmo teto, tendo uma paz e silêncio assim juntos?
Nos velhos dias, ele encontrava Lília sentada quieta e pacientemente o esperando, até que ele finalmente chegava em casa do trabalho.
E quando o trabalho dele terminava tarde, ela dormia esperando por ele.
Ele sentia que naquele momento em especial, ele realmente não valorizava tais detalhes minúsculos.
Agora, após pensar sobre isso, sua memória apenas estava gravada ali, sabendo o quanto ele sentia falta.
Ronaldo sentiu um estranho impulso surgir enquanto olhava e pensava.
Ele desejava mantê-la ali, com ele, e ela poderia estar ao seu lado desse jeito...
Mas então, o pensamento mal havia despontado quando ele o conteve.
Mais de uma hora, a força da droga sobre Lília já havia recuado lentamente e ela começava a recobrar os sentidos sob a tontura.
Quando abriu os olhos, sentiu sua cabeça e o resto de suas faculdades rodarem.
O olhar de Ronaldo se voltou para ela e sua voz estava manchada com uma rara camada de ternura e afeto: — Você acordou?
Essa sua voz masculina estava preenchida com nervosismo e cuidado.
Logo que ela o viu, um vislumbre de ódio piscou através de seus olhos furiosos: — Onde estamos?
— Na mansão sob o nome da família Silva.
Ele não lhe mentiu.
Lília escureceu seu rosto ainda mais.
Havia fúria em seus olhos que se depararam com um imenso desapontamento. Ela encarou Ronaldo intensamente: — Pensei que você tinha um temperamento nobre e que pelo menos se certificaria de entender o peso do contrato e de sua gravidade.
Eu não tinha ideia de que você não seguiria as regras mais básicas do nosso contrato!
Ele sabia perfeitamente o que a estaria esperando ali, e adivinhou as reações de Lília depois que acordou.
Entretanto, ele admitiu que aquilo também fora provocado por sua família.
Ronaldo não estava com humor para discussões, respondendo fracamente: — Você acreditaria se eu dissesse que não tinha ideia de que isso estava acontecendo?
Lília gargalhou e se encheu de uma determinação frígida: — Eu só estou procurando a Maia. Entregue-me ela!
Sua família não é qualificada o suficiente para me ameaçar com a Maia!
Falando em não acreditar e em coisas sobre a quebra da confiança, Ronaldo já as havia falhado vezes demais.
Lília estava além da crença e não confiaria nas coisas que saíssem de sua boca.
Ele previu a falta de crença que estaria embutida nas atitudes dela.
Ronaldo balançou a cabeça: — Eu não sei onde a Maia está, mas você não tem que se preocupar. Eu não vou deixá-los tocar num único fio de cabelo da Maia.
— Sim, falar é fácil. E qual é o seu plano agora? Um tapinha no pulso antes de me confortar?

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