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No Dia do Divórcio, Ele Me Trancou no Frigorífico romance Capítulo 15

Beatriz acordou com dor.

Depois de muito tempo sem comer e de um choque emocional violento, o estômago não aguentava.

Ela abriu os olhos com esforço.

A primeira coisa que viu foi um lustre de cristal… luxuoso.

Onde estava?

O cérebro travou por três segundos.

O som de água corrente chegou aos ouvidos; ao virar o rosto, ela viu uma enorme parede d’água decorativa.

Num instante, lembrou-se do que acontecera antes de desmaiar.

As palavras venenosas de Matheus, a lixeira fétida e… a mala velha encharcada de água suja.

Ao pensar na mala, sentou-se depressa.

O movimento puxou os arranhões da queda, e ela puxou o ar, sentindo a dor arder.

Começou a observar ao redor.

Parecia um quarto, muito sofisticado.

No ar havia aquele cheiro limpo de cedro — exatamente o mesmo que sentira antes de apagar.

A fragrância trouxe de volta a imagem indistinta daquele homem.

Ela baixou os olhos e percebeu, só então: não estava usando a roupa velha manchada de lama.

Estava com… um pijama de seda, macio.

A constatação deixou Beatriz sem chão.

O sangue sumiu do rosto. Com as mãos tremendo, ela levantou o cobertor e verificou o próprio corpo.

O pijama estava intacto.

E, além de ferimentos antigos, não havia sinal algum de violência.

Só depois de confirmar isso é que a tensão dentro dela cedeu um pouco.

Mas, em seguida, veio a tristeza.

Ela tinha desconfiado primeiro… da pior coisa.

O que Heitor e a família Andrade tinham feito com ela nesses cinco anos, para que ela virasse alguém assim?

Sem o mínimo senso de segurança, assustada com qualquer sopro.

Sob o celular, havia um bilhete impresso, preso como peso.

Uma única linha dizia:

[Devolvido ao dono. Descanse e recupere-se.]

Beatriz leu, depois olhou de novo para os manuscritos. Os olhos arderam.

Quem deveria amá-la tratara o trabalho dela como lixo, descartando sem hesitar.

Um desconhecido, porém, lhe dera o respeito mais básico.

Toc, toc, toc.

Bateram à porta.

Beatriz enxugou discretamente a umidade no canto dos olhos e perguntou, cautelosa:

— Quem é?

— Srta. Beatriz, bom dia. Sou Bruno, assistente especial do Sr. Guilherme. — a voz do lado de fora era suave e respeitosa. — A senhora já acordou?

Sr. Guilherme?

A mente de Beatriz ficou em branco; ela não conseguiu associar aquele sobrenome a nada.

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