[E não foi só isso! Ouvi dizer que, para proteger o Heitor, ela chegou a quebrar a perna uma vez.]
[Caramba! Ela se entregou assim… e ele fez o quê? Virou as costas e casou com a irmã? Esse Heitor é um canalha.]
[E a irmã também não presta, né? Roubar o próprio cunhado.]
Da noite para o dia, o nome de Heitor foi amarrado a palavras como “traidor” e “ingrato” — sem chance de escapar.
As ações do Grupo Monteiro despencaram.
Vários grandes projetos que estavam prestes a fechar parceria com a família Monteiro foram suspensos às pressas, sob a justificativa de que “a conduta pessoal do responsável compromete a imagem corporativa”.
A família Andrade também não escapou.
Rótulos como “ingratos”, “vendem a filha por status” e “família sem princípios” foram pregados à porta da casa como se fossem pregos enferrujados.
Felipe, furioso, quebrou no ato o seu vaso antigo favorito.
Isabel apontou o dedo para Larissa e a chamou de inútil, dizendo que nem um homem conseguia segurar.
Matheus e Lucas não disseram nada, mas o desprezo nos olhos feriu mais do que qualquer palavra.
A pior situação, porém, foi a de Larissa.
O casamento do século, que ela se orgulhava de anunciar como “maior que um casamento real”, foi cancelado por tempo indeterminado após um único berro do velho Sr. Monteiro.
De futura Sra. Monteiro, admirada por todos, ela virou, em uma noite, motivo de chacota na Capital inteira.
Larissa não aceitou.
Colocou tudo na conta de Beatriz.
— Foi ela! Foi aquela desgraçada!
Com os olhos vermelhos e o rosto distorcido, Larissa destruiu no quarto tudo o que podia quebrar.
— Se ela não consegue ser feliz, vai destruir a minha vida! Eu não vou deixar! Nunca!
Ela pegou o celular e ligou para Miguel.
— Beatriz!
Miguel avançou em poucos passos e apontou o dedo na cara dela, aos gritos.
— Sua ingrata! A família Andrade te criou até hoje e é assim que você retribui?!
— Com que direito você estragou o casamento da Larissa? Que intenção é essa?!
A voz dele era alta o suficiente para atrair, num instante, a atenção de todos os pesquisadores que saíam do trabalho.
Beatriz franziu o cenho, fria.
— Miguel, isto aqui é um instituto de pesquisa. Não é lugar para você fazer escândalo.
— Escândalo? — Miguel riu como se tivesse ouvido a maior piada do mundo. — Hoje eu não só vou fazer escândalo, como vou dar uma lição em você, sua filha sem respeito!
E, dizendo isso, levantou a mão para estapeá-la.

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