Beatriz não apresentou as provas de imediato.
Primeiro, fez a análise de composição da amostra contaminada e conseguiu isolar o interferente.
Depois, com sua base sólida em química, reconstruiu o problema ao contrário e deduziu um novo estabilizante capaz de neutralizar aquele composto.
Corrigiu os dados, refez o experimento.
Quando os números perfeitos voltaram a aparecer na tela do computador, o céu do lado de fora já estava claro.
Beatriz passara a noite em claro; os olhos estavam vermelhos, e a palidez do rosto assustava.
Mas o espírito dela estava numa excitação inédita.
Ela não apenas salvara o experimento: no processo, ainda melhorara a estabilidade do fármaco.
Da desgraça, tirara vantagem.
Só depois disso ela reuniu uma cópia do vídeo de vigilância e os registros de transferência bancária entre Benito e Larissa, compactou tudo e enviou por e-mail.
Havia dois destinatários.
Um era o diretor do Instituto.
O outro, o e-mail oficial da polícia de Capital.
No dia seguinte, o Instituto convocou uma assembleia geral.
Todos acharam que seria a reunião para anunciar o fracasso do “Poeira Estelar” e responsabilizar Beatriz.
Colegas que antes se aproximavam dela agora queriam manter distância, com medo de serem arrastados junto.
Rafael também apareceu no auditório.
Sentou-se num canto, exibindo uma satisfação mal disfarçada.
O diretor subiu ao palco, sério.
A plateia prendeu o fôlego.
— Convidei todos hoje para anunciar um assunto importante.
O olhar do diretor percorreu o salão e, por fim, pousou sobre Beatriz.
Havia ali uma admiração evidente… e um pedido de desculpas implícito.
— Primeiro, vou anunciar uma boa notícia.
— O Projeto Poeira Estelar, liderado pela Dra. Beatriz, concluiu nesta madrugada todos os experimentos centrais da fase pré-clínica e obteve um avanço de caráter decisivo!
O quê?!
O auditório explodiu em murmúrios.
Os olhares se voltaram, em uníssono, para Rafael, pálido como papel.
O diretor não citara nomes, mas qualquer um entendia: aquilo certamente tinha ligação com ele.
Rafael tremia. O suor frio encharcou-lhe as costas.
A vida dele estava acabada.
Por fim, o diretor entregou o microfone a Beatriz.
Ela o pegou e se posicionou à frente.
Com um olhar límpido e frio, varreu as faces abaixo — choque, culpa, medo.
Não falou das injustiças dos últimos dias.
Não acusou ninguém pela falta de confiança.
Apenas disse, com tranquilidade, uma única frase.
— Eu sei revidar.
— Eu só não quero desperdiçar tempo com gente e coisas sem importância.
— O meu campo de batalha sempre foi o laboratório.

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