— Me passe o relatório mais tarde. — disse Pedro, que estava ao telefone e, ao ouvir o chamado, falou calmamente para a pessoa do outro lado da linha.
Júlia imediatamente lançou-lhe um olhar de alerta e desagrado:
— Quem é você?
De repente, ela notou Catarina atrás de Lorena, e um sorriso frio e intrigante surgiu em seu rosto.
— Catarina, o que significa isso? Você tem medo de falar as coisas na cara e precisa trazer alguém para falar por você?
— Isso não tem nada a ver com a Catarina, sou eu quem precisa falar com o Sr. Valente! — esbravejou Lorena, encarando Júlia.
Pedro já havia desligado o telefone; ele ergueu os olhos e indagou com frieza:
— O que foi?
— Sr. Valente, posso saber qual é a sua relação com a Srta. Santos ao seu lado? — foi direto Lorena.
Pedro ficou levemente surpreso, olhou de relance para Catarina e, de súbito, riu.
— E de que posição você me faz essa pergunta?
— Tá certo, de qualquer forma, a relação de vocês com certeza não é pouca coisa! — Lorena tremia de raiva. — Então me responda, qual foi o motivo para o senhor recomendar tão enfaticamente a Júlia para ser assistente da Doutora Matos?
— É porque ela tem uma sabedoria extraordinária, ou por algum caráter admirável? Ou será, por acaso, porque ela possui um diploma universitário?
Com essa declaração, a raiva tomou conta de Júlia na mesma hora, e ela se levantou de um salto.
— O que você quer dizer com isso?
— Exatamente o que você ouviu. Se eu disse alguma mentira, fique à vontade para me processar por difamação! — respondeu Lorena, sem recuar.
— Pedro...
— Eu não consegui me formar na faculdade a tempo, não era o que eu queria... como ela pode falar assim de mim? — Júlia virou-se para ele com os olhos avermelhados, exalando mágoa.
— Me desculpa, eu estou te causando problemas, você não devia ter lutado por essa oportunidade por mim...

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