A dor e o impacto imaginados, contudo, não vieram.
— Cacete!
A voz trêmula e apavorada do motorista soou abruptamente aos ouvidos dela.
Catarina ergueu a cabeça. As chamas oscilavam no crepúsculo, e os tons do pôr do sol pareciam sangue no horizonte.
Um Maserati havia arremessado a van para longe à força bruta. A frente do carro de luxo estava gravemente afundada, enquanto a van já se encontrava distorcida e deformada, tomada por chamas ardentes e uma nuvem de fumaça negra que subia aos céus.
Um zumbido surdo preencheu a mente dela.
Seu cérebro ficou em branco instantaneamente, a respiração quase parando.
Catarina empurrou a porta do carro com ímpeto. Suas pernas estavam bambas, e os poucos passos que deu pareceram ter drenado todas as suas forças.
A porta do carro estava travada, e não dava para saber qual era a situação lá dentro.
— Pedro...
— Pedro!
Ela batia com força na janela de vidro, enquanto lágrimas de pânico caíam de seu rosto.
O interior do veículo estava em um silêncio mortal, sem nenhuma resposta.
— Moça, afaste-se rápido, aquela van parece que vai explodir!
Alguém de bom coração avisou em voz alta.
Catarina virou a cabeça bruscamente, olhando para a multidão ao redor: — Tem alguém dentro do carro! Por favor, ajudem a salvá-lo!
Alguns pedestres se aproximaram para tentar, mas franziram a testa e balançaram a cabeça: — Está trancado por dentro, não dá para abrir! Já chamamos a polícia, saia logo daí!
Dito isso, todos se afastaram apressados.
O fogo ficava cada vez mais forte, a sombra da morte se aproximava a cada instante, mas Catarina não conseguia manter a sanidade. Sua mente estava repleta apenas do rosto de Pedro.
Não o seu rosto de agora.
Mas o de treze anos atrás, de quando o viu pela primeira vez.
A figura esbelta e ereta do jovem rapaz, parando na sua frente, bloqueando todos os olhares de escárnio, desprezo e malícia.
Naquela época, ela já havia se acostumado a usar uma espessa armadura para se defender do mundo.
Mas foi a primeira vez que seu coração bateu de forma tão vulnerável por alguém.
— Pedro! Você está me ouvindo?
— Pedro!

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