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Naquele Incêndio, Eu Enterrei Meu Casamento! romance Capítulo 120

Catarina não teve escolha a não ser pegar o celular e esboçar um sorriso:

— Vovó.

A velha senhora tinha a voz fraca, mas os olhos cheios de afeto, e aconselhou:

— Catarina, os ferimentos que você sofreu antes podem parecer superficiais, mas precisam de cuidado. Essa estância termal é o melhor lugar para repousar, deixe o Pedro ficar alguns dias com você para que possa se recuperar.

Ela olhou de relance para trás da câmera para falar com Pedro:

— Escutou, menino? O trabalho e tudo mais podem esperar, a saúde da Catarina vem em primeiro lugar.

— Entendido. — assentiu Pedro no mesmo instante.

Só quando desligou a ligação, contudo, olhou apreensivo para Catarina:

— Catarina, eu ainda tenho alguns assuntos pendentes, vou ter que voltar à noite, que tal...

— Tá, você já pode ir embora agora mesmo. — Catarina cortou o que ele diria, com preguiça de fingir qualquer gentileza.

— Catarina, — Pedro a observou, analisando sua expressão. — Não tem a ver com a Júlia, são assuntos da empresa.

Catarina não conseguiu conter o riso e riu com ironia:

— Mesmo se você for fazer companhia a Júlia não tem problema. Você está cultivando os sentimentos por ela e preparando a transição de vocês, embora seja imoral, o que a moralidade significa para vocês? Não é mesmo?

A feição de Pedro fechou instantaneamente.

Catarina se poupou de assistir ao descontentamento no rosto do marido. Ao saber que ele partiria, quis até ficar lá e mergulhar nas águas termais por mais um pouco.

Havia um bom tempo que ela não estava dormindo direito. A sensação de esgotamento espalhava-se por todo o corpo, e aquilo lhe permitiria afrouxar todas as tensões.

Sem mais atenção a Pedro, virou e sumiu a passos largos rumo ao vestiário.

Depois que vestiu as devidas roupas de banho, selecionou uma banheira mais escondida, dando pequenos passos em direção às tépidas águas relaxantes.

A água quente das nascentes engolia por inteiro sua pele sedosa e suave, esvaindo sua extenuante fadiga contida até a medula sob a sutil penumbra de vapor de água.

Sem perceber, ela começou a ter um forte sono.

De repente, o barulho da água ressoou alto.

Catarina despertou com um sobressalto, ergueu o rosto e divisou o traçado de uma sombra oposta a ela.

Sob as névoas formadas pelo vapor, as definições marcadas e firmes do abdômen de Pedro eram percebidas, seu rosto formidável sumia e despontava em meio às fumaças brancas das águas.

A profunda íris e inescrutável mirada estavam lançadas sobre o corpo dela pelo vapor.

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