Não muito tempo depois, um número desconhecido de repente ligou para ela.
Quando Catarina atendeu, a voz de Pedro ecoou do outro lado:
— Catarina, você realmente me bloqueou?
Ele não parecia zangado por conta disso, até exibia um tom descontraído e bem-humorado:
— Celso me contou o que aconteceu da última vez, como você descobriu que eu estava lá?
— Me desculpe, não atendi a sua ligação naquele dia de propósito, é que eu realmente tinha uma emergência. Voltei ao Brasil hoje de manhã, e estou com o dia todo livre, você pode pedir a compensação que quiser.
Vendo que Catarina não dizia nada, ele fez uma pausa:
— O que foi? O que aconteceu?
As poucas palavras que ele dissera foram o suficiente para revirar tudo de novo nas emoções de Catarina, que haviam demorado a se acalmar.
Ela queria confrontá-lo, talvez até xingá-lo, mas, quando abria a boca, perdia a força e não conseguia proferir uma única palavra.
Dizer algo, adiantaria o quê?
Ele nunca acreditaria que estava errado e sempre acharia que ela que estava fazendo escândalo à toa.
Catarina ergueu a mão para desligar a ligação, mas Pedro tomou a palavra de repente:
— Catarina, sabe que dia é hoje?
O movimento dela parou de supetão.
A voz de Pedro havia mudado, assumindo uma agressividade e uma pressão extremamente desconfortáveis:
— Catarina, você está ficando cada vez mais cruel. A empregada me falou que você não foi ver a vovó esses dias, e também não voltou para o Condomínio Monte Sereno. Então onde você está morando? O que está fazendo? Com quem você está?
— Sr. Valente, — Catarina finalmente falou. — Minha vida pessoal não tem nada a ver com você.
— Se quiser quebrar o contrato, eu não me importo. — O tom de Pedro era brando. — Só não sei se o seu pequeno cofrinho tem o suficiente para pagar a multa de cinquenta milhões de reais.
— Se não quiser pagar, me passe o seu endereço agora.
Catarina apertou a palma da mão e, só depois de um bom tempo em silêncio, disse:
— Eu mesma vou até aí.
Após desligar o telefone, respirou fundo várias vezes antes de conseguir se livrar da sensação densa e sufocante que oprimia seu coração.

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