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Minha Filha Adotiva E Minha Vida De Glória romance Capítulo 2

— Aonde você foi para voltar tão tarde? — ela perguntou com severidade.

Camila estava cansada, deu a volta nela e subiu as escadas.

— Você não fez o jantar nem lavou as roupas. Esqueceu que o Murilo tem aula amanhã cedo?

A voz de Dona Rosa ecoou atrás dela.

Os passos de Camila pararam na escada e, momentos depois, ela continuou andando.

Dona Rosa não era uma empregada comum; Arthur foi criado por ela desde criança e a tratava quase como mãe.

Graças à posição privilegiada que tinha na casa, ela criticava a Camila de todas as maneiras possíveis.

Dizia estar ajudando a cuidar do filho, mas na verdade cuidava sozinha de todos os assuntos de Murilo.

Até mesmo cada pequena fralda dele quando era bebê foi lavada por suas mãos.

A comida, roupas e rotina de Arthur também eram de sua total responsabilidade.

— Só sabe dormir, dormir e dormir. Passa o dia todo deitada na cama e não se preocupa nem em emagrecer. Se não fosse o golpe que ela armou para se aproximar dele, o Arthur nunca teria casado com uma mulher como ela.

No andar de baixo, ouvia-se Dona Rosa batendo as coisas, parecendo querer que ela escutasse de propósito.

Bang!

A resposta para Dona Rosa foi a porta do quarto batendo. Dona Rosa revirou os olhos na direção do quarto no segundo andar.

Exausta, Camila sentou-se em frente à penteadeira e olhou para o reflexo no espelho: o corpo um pouco acima do peso, o queixo sem contorno definido, olheiras profundas e manchas amareladas ao redor dos olhos.

Ela tinha se maquiado especialmente para o evento da tarde, mas mesmo assim parecia muito mais velha. Tinha apenas vinte e sete anos, como poderia estar com uma aparência tão cansada?

Casar-se com quem gosta não deveria trazer felicidade?

Camila levou a mão até as manchas ao redor dos olhos e tentou pensar se tinha sido feliz nesses últimos cinco anos. Antes que conseguisse uma resposta, as lágrimas começaram a escorrer sem controle pelo rosto.

Depois de chorar, ela se sentiu um pouco melhor.

Camila pegou o celular e ligou.

— Alô. — Lucas ainda estava dirigindo.

— Lucas, aquela proposta que você me fez antes, de eu trabalhar na sua empresa, ainda vale?

Lucas ficou surpreso. — Claro.

— Mas os novos funcionários precisam fazer um treinamento no exterior por dois a três anos. Depois disso, alocamos os cargos conforme a necessidade da empresa. No seu caso...

— Eu posso. — Camila disse com firmeza.

Em contrapartida, Lucas ficou em silêncio.

Ele sabia o quanto Camila amava Arthur. Na época, para obter a aprovação da família Ferreira, ela dedicou toda a sua energia a essa casa e nunca saiu para trabalhar nem um dia sequer.

Não era um ambiente do qual se pudesse simplesmente sair.

— Me procure na empresa na segunda-feira, aí conversamos. — Lucas disse.

Beatriz escreveu no grupo: — Arthur, essa é a sua nova namorada? Quando vai apresentar ela para a família?

O grupo da família ficou num silêncio mortal.

Camila estava encarando o celular quando, no segundo seguinte, a foto foi apagada.

Um sorriso pálido e fraco apareceu no canto de sua boca.

Todos da família Ferreira sabiam que ela estava no grupo.

Mas ninguém se importava com os sentimentos dela.

Aos olhos deles, ela era menos que uma marionete.

O celular tocou.

Era sua sogra, Dona Helena.

— Venha jantar na casa principal hoje à noite.

Sem esperar por resposta, a ligação foi encerrada.

Quando Camila chegou à casa principal, ela viu o carro de Arthur na entrada.

Dona Helena tinha chamado a família toda, provavelmente por causa daquela foto.

Assim que Camila pôs os pés na sala, ouviu a voz infantil de Murilo vinda de dentro: — Então meu pai e minha mãe vão se divorciar?

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