Dona Rosa se adiantou às pressas e levou Murilo dali.
— Não apareça na minha frente esta noite. Não quero ver você. — disse Arthur.
Camila assentiu, virou-se e subiu as escadas.
Arthur já tinha se separado dela há muito tempo, e mesmo que voltasse, não moraria com ela.
Ao voltar ao quarto, Camila tirou um caderno da gaveta e o abriu.
O caderno estava repleto de riscos que eu desenhava toda vez que o Arthur me magoava, para guardar cada mágoa que sentia.
Camila pegou a caneta, com a intenção de acrescentar mais um traço.
Mas sua mão parou antes de tocar o papel. Em vez disso, ela estendeu a mão para acariciar o caderno. Havia tantos traços ali, desiguais, e a sensação do papel era gelada.
Acontece que, em cinco anos, Arthur teve muitos momentos em que a magoou.
E ela, Camila, beirando os trinta anos de idade, além de ter dado à luz um filho, podia-se dizer que não havia conquistado nada.
Agora ela até precisava anotar em um caderno como um homem a deixava triste.
Fazer isso aos 17 anos seria considerado fofo.
Mas ela tinha 27, e fazer isso de novo era apenas estupidez.
Uma estupidez que dava vontade de rir.
Camila fechou o caderno, foi até o escritório, rasgou as páginas uma a uma e as jogou na fragmentadora de papel.
Os pequenos pedaços de papel caíram da máquina, como se estivesse nevando.
Um pedaço de papel ficou preso na fragmentadora. Ao empurrá-lo, minha unha raspou no metal, quebrando e arrancando um pedaço da pele, gerando uma dor aguda.
Arthur empurrou a porta: — O que você está fazendo?
Camila ficou com o rosto pálido e segurou os dedos com força: — Nada.
— Quem deixou você entrar?
De repente, Camila perdeu a vontade de falar.
Não importava o que ela dissesse ou fizesse, a resposta de Arthur para ela seria sempre indiferença e aversão.
Mesmo que eu mostrasse o machucado, Arthur ainda acharia que tudo era culpa minha.
Camila se levantou e foi saindo, puxando a porta e fechando-a por fora com um estrondo.
Arthur se virou e ficou encarando a porta fechada.
Ela sempre foi considerada um gênio na sua área. Mesmo nunca tendo trabalhado antes, ela aprendeu rápido depois de se familiarizar um pouco.
Além disso, durante esses cinco anos, ela nunca desistiu de estudar na sua área e sempre esteve em contato com a tecnologia mais avançada.
Em pouco tempo, uma semana se passou.
Na saída das aulas de sexta-feira, Camila saiu mais cedo da empresa, buscou Murilo e depois o levou para a casa de sua mãe.
A casa dela ficava em uma viela fora do quinto anel viário, no distrito oeste. Era um pequeno sobrado de tijolos vermelhos com dois andares. Embora fosse um pouco antigo, era bem arrumado e limpo. A varanda estava cheia de flores coloridas, visíveis de longe.
Havia begônias plantadas no quintal, e as flores vermelhas se escondiam entre as folhas verdes, deixando tudo com uma sensação muito fresca e agradável.
Camila entrou com o filho e sentiu o cheiro de costelinha agridoce.
Sua mãe, Vovó Lúcia, saiu do quarto.
Murilo a chamou de forma educada: — Vovó Lúcia.
— Ei! — Vovó Lúcia o abraçou com alegria, beijou as bochechas dele e afagou sua cabeça. Ela não cansava de olhar para ele.
— Venham logo para dentro. Sabendo que vocês iam vir, a sua bisavó começou a cozinhar bem cedo. Tudo o que vocês adoram comer. — Vovó Lúcia disse com alegria.
Camila levou o filho para lavar as mãos na pia do quintal e viu a figura de Bisavó Adelaide ocupada na cozinha.

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