Camila mordeu o lábio com força, uma amargura que parecia ter gosto de sangue tomando conta de toda a boca.
Dava para perceber de longe a diferença entre quem é amada e quem só se esforça por amor.
Como competiria com a Giovanna, que tinha tudo o que eu nunca consegui ter?
No entanto, Giovanna não sabia que Arthur era casado?
Como é que a arrogante Srta. Rossi estaria disposta a ser a amante de alguém?
Com um aperto no peito, Camila se levantou para sair: — Tenho coisas para fazer...
— Camila! — Giovanna a chamou de repente e tirou um cartão de visita da bolsa, dizendo com um rosto cheio de sinceridade: — Não sei o que aconteceu com você nesses últimos anos, mas este é o meu cartão. Pode entrar em contato se precisar de ajuda.
Com o rosto pálido, Camila apertou bem os dentes: — Não preciso...
— Camila, nós somos boas amigas. Não estou fazendo isso com outras intenções, só quero te ajudar...
As mãos de Camila tremiam incontroláveis. Ela afastou a Giovanna suavemente e saiu correndo da cafeteria sem olhar para trás.
Os outros clientes da cafeteria ouviram a conversa, levantaram os rostos e olharam para a porta. Olhares de compaixão e pena quase atravessaram Camila, para em seguida pousarem em Giovanna, cheios de admiração e apreço por uma mulher linda, rica e de coração bom.
Ao ouvir o barulho da porta se fechando atrás de si, o sorriso no rosto de Giovanna congelou.
Ela se virou, sentou, pegou uma colherada de bolo e colocou na boca. — Pobre coitada, não consegue nem se cuidar direito. — murmurou Giovanna só para si mesma.
Após sair da cafeteria, Camila ficou em frente ao vidro do chão até o teto para se olhar.
Olhou seu próprio reflexo no vidro da vitrine: o corpo inchado e o olhar sem nenhum brilho, qualquer um notaria instantaneamente que sua vida nunca saiu como planejou.
Não é à toa que Giovanna queria ajudá-la.
Camila deu um sorriso amargo para a própria imagem no vidro da janela, chamou um carro e foi para a empresa de Lucas.
Como Lucas tinha instruído com antecedência, ela apenas disse seu nome e foi levada ao escritório pelos funcionários.
Sentado atrás da mesa, Lucas se levantou para cumprimentá-la ao vê-ela entrar.
— Sente-se.
Ele a levou para a pequena sala de visitas, sentou de frente para ela e estendeu a mão para servir chá.
Vestia um terno azul-escuro, de corpo alto e gentil.
Entrar para a classe juvenil da Universidade Central aos 16 anos, fazer os algoritmos de controle de sistema, terminar o mestrado aos 22 anos, e ficar atolada num casamento de onde não conseguia sair.
Lucas já não suportava isso. Antes já tinha convidado Camila para trabalhar em sua empresa e tinha sido rejeitado.
Era a primeira vez que Camila cedia.
Ele temia que ela mudasse de ideia.
Camila abaixou a cabeça e apertou os lábios com vergonha. — Sendo assim, preciso me preparar também. Afinal, estou longe do ramo faz um bom tempo.
Lucas concordou com a cabeça.
Ele acreditava no talento de Camila. Mesmo depois de ser dona de casa por anos, conseguiria voltar a um nível superior com pouco contato.
— Você pode fazer um estágio por um tempo no país, se acostumar com o ambiente de trabalho e adaptar-se de modo mais rápido ao ir para fora. — sugeriu Lucas.
Camila: — Posso.
Lucas ficou um pouco mais animado: — Sendo assim, venha amanhã fazer um trabalho de assistente comigo. Vou te instruir e você vai acostumando ao ambiente corporativo.

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