Camila assentiu agradecida. Ela sabia que Lucas se preocupava por ela nunca ter trabalhado e não se adaptar à mudança repentina de ambiente.
Ter o próprio Lucas para me treinar pessoalmente é uma chance rara que poucos conseguem.
Camila agradeceu e se levantou para se despedir.
— Camila.
Quando caminhava até a porta, Lucas a chamou de repente.
Camila virou-se.
— De qualquer forma, parabéns por iniciar uma nova vida.
Lucas sorriu.
Camila também sorriu.
Ao chegar no andar de baixo da empresa de Lucas, os muros dos dois lados estavam cheios de rosas florescendo, bem coloridas e balançando com o vento.
Camila soltou um longo suspiro, revelando o primeiro sorriso vindo do fundo do coração em muito tempo.
Uma rosa florescia na beira da calçada. Camila estendeu os dedos para tocar a pétala macia e deixou escapar um sorriso fraco.
Já eram cinco e meia quando voltou para casa.
Camila abaixou a cabeça para trocar os sapatos e viu os sapatinhos de Murilo organizados de forma bem arrumada.
Um calor surgiu no coração de Camila, mas ao entrar na sala, ela viu Dona Rosa abraçando Murilo.
— Sua mãe passa o dia todo em casa e não faz nada, e nem vai nos buscar. De agora em diante, não teremos mais intimidade com a sua mãe, está bem?
Murilo franziu as sobrancelhas: — Não está bem.
Dona Rosa riu com vontade.
— Murilo. — Camila o chamou.
Murilo virou-se depressa e disse com alegria após vê-la: — Mãe!
Ele correu até a frente de Camila e fez bico com a boca: — Mãe, por que não foi me buscar?
Camila olhou para Dona Rosa, apertou as bochechas do filho e disse de modo gentil: — A mãe teve umas coisas para resolver hoje. Por que não vai pintar um pouco primeiro, pode ser?
Murilo aceitou com má vontade e voltou para o ateliê dele.
Dona Rosa fez menção de sair.
— Dona Rosa! — Camila a chamou.
— O que foi agora? — Dona Rosa respondeu de modo estranho.
— Se voltar a falar mal de mim diante do Murilo, terá que ir embora desta casa para sempre.
— Não.
Arthur zombou friamente: — E então, ela não disse a verdade?
Camila fechou as mãos e cravou as unhas nas palmas.
Se era provocação ou não, o próprio Arthur conseguia perceber.
Ele só estava deixando claro que ia proteger Dona Rosa.
Ele trataria uma empregada que cuidou dele desde pequeno como se fosse da família.
Só ela que não era.
Uma sensação amarga surgiu na garganta e Camila se esforçou para se acalmar.
— Só não fui buscar o Murilo porque tive umas coisas para resolver, mas deixei alguém avisado antes. E além do mais, você também não foi...
Pá.
Arthur jogou a revista com toda a força, ela voou pelo ar, bateu na panturrilha de Camila e caiu sobre seus pés.
Não doeu, foi apenas constrangedor.
Camila ergueu a cabeça e viu o filho em pé bem na porta, encarando-a com um olhar um pouco estranho.

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