Mariana passou o cartão para abrir a porta, trocou os sapatos pelos chinelos que estavam no chão e começou a procurar sua gata de estimação. Como não a tinha visto ao chegar em casa mais cedo e os pertences do animal também haviam sumido, deduziu que eles já tinham sido levados para a nova residência.
— Jasmim?
Acompanhando seus passos, o som de algo enorme se aproximando rapidamente ecoou. Antes que Mariana pudesse reagir, a figura já havia saltado bem diante de seus olhos.
Mesmo sendo uma pessoa de emoções contidas, Mariana não conseguiu evitar um grito agudo.
Quase em sincronia com o seu grito, as luzes da casa se acenderam em sequência, revelando os contornos de todo o ambiente. A decoração era exatamente a que ela havia escolhido.
Mariana ficou paralisada, encarando o cachorro que rosnava mostrando os dentes à sua frente. Ela teve a impressão de que, se o animal ficasse em pé sobre as patas traseiras, seria da sua altura.
— Princesa, senta. — A voz grave e magnética de um homem soou.
O cachorro, que há um segundo rosnava, sentou-se obedientemente no mesmo instante.
Percebendo que o perigo havia passado, Mariana ergueu os olhos para o andar de cima.
O homem vestia apenas um roupão preto, indicando que acabara de sair do banho. Ele era muito alto. Dizia-se que havia servido no exército e que sua intenção era seguir a carreira militar e política da família, mas um ferimento o obrigou a se aposentar.
Depois disso, ele assumiu a empresa da família. O Skyhold Corp abrangia indústrias de manufatura, energia, farmacêutica, tecnologia, mercado imobiliário, automotivo, químico, entre outros.
O casamento entre as famílias Lemos e Drummond era um acordo, e essas eram as únicas informações que ela tinha. O resto não lhe dizia respeito. Sabia apenas que o marido era um jovem talento e que, pelo menos, sua mãe estava muito satisfeita.
Arthur Drummond tinha os cabelos úmidos penteados para trás; suas feições fortes e bonitas transmitiam um olhar indiferente.
Mariana sustentou o olhar dele em silêncio, sentindo-se um pouco desajeitada.
Ele era imponente. Ao descer as escadas, deu um leve empurrão no cachorro com o pé. Sua sombra caiu sobre ela, cobrindo-a quase por completo.
— Não consegue reconhecer as pessoas da própria casa? — Arthur resmungou. — Da próxima vez, vou mandar a cozinheira arrancar o seu couro e fazer uma sopa.
Mariana ficou em dúvida se ele estava mandando uma indireta para ela, mas achou que talvez estivesse sendo sensível demais.
O corpo do homem irradiava calor, e, mesmo estando à sua frente, ela conseguia sentir o cheiro de sal marinho vindo dele.
— Já jantou, senhora Drummond? — A forma como Arthur pronunciou as duas últimas palavras carregava uma inegável ambiguidade.
Como os dois ainda eram completos estranhos, Mariana respondeu sem graça.
— Comi no refeitório do teatro. Vou tomar um banho primeiro.
Arthur observou as costas da mulher enquanto ela fugia apressada e ergueu uma sobrancelha, achando graça. O quê? Ele era tão assustador assim?
A decoração do quarto do casal era idêntica ao projeto em 3D, e até os produtos de banho eram os que ela costumava usar. Jasmim, provavelmente assustada com o cachorro gigante lá embaixo chamado Princesa, estava encolhida em cima da mala de Mariana. Ao vê-la entrar, a gata correu manhosa, enrolando o rabo ao redor de suas pernas.
Mariana agachou-se e a pegou no colo.
— Desculpe, cheguei tarde. Ele te machucou?

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